AMOR SEM ESCALAS

AMOR SEM ESCALAS

(Up in the Air)

2009 , 104 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 05/09/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jason Reitman

    Equipe técnica

    Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner

    Produção: Daniel Dubiecki, Ivan Reitman, Jason Reitman, Jeffrey Clifford

    Fotografia: Eric Steelberg

    Trilha Sonora: Rolfe Kent

    Estúdio: Cold Spring Pictures, DreamWorks Pictures, Paramount Pictures, Right of Way Films, The Montecito Picture Company

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Adam Rose, Adhir Kalyan, Adrienne Lamping, Alan David, Amy Morton, Andy Glantzman, Anna Kendrick, Art Hill, Bill Yancey, Billy Phelan, Cari Mohr, Casey Bartels, Chris Lowell, Courtney Kling, Cozy Bailey, Danny McBride, Dave Engfer, David F. Rybicki, Deborah L. Norman, Dustin Miles, Ellen Gutierrez, Erin McGrane, Erin Welsh-Krengel, George Batten, George Clooney, Grace Smith, J.K. Simmons, Jason Bateman, Jeff Witzke, Jennifer Flaks, Jerry Vogel, Jo Michelle Favaro, John Mebrue, K. Darnell Lewis, Kelly Bertha, Kevin Pila, Lamorris Conner, Laura Ackermann, Lucas MacFadden, Mark Sommers, Marlene Gorkiewicz, Marvin Young, Matt O'Toole, Meagan Flynn, Meghan Maguire, Melanie Lynskey, Michele Lee, Patricia Allison, Paul Goetz, Sam Elliott, Scott Lapinski, Stephanie Janiunas, Steve Eastin, Tamara Tungate, Thomas M. Martilotti, Vera Farmiga, Wilbur Weidlich, Zach Galifianakis

  • Crítica

    18/01/2010 17h39

    Amor Sem Escalas é um filme extremamente difícil de classificar. Por quê? Traz uma série de questões e não dá respostas a nenhuma delas. Bom sinal, porque indica um diretor em movimento, mas também faz com que o filme não seja o momento mais agradável de nossas vidas.

    Não me entendam mal, não estou afirmando que seja chato. Amor Sem Escalas tem humor nas situações inusitadas e momentos emocionantes sobre o significado das relações e como é sentir-se conectado a alguém. Mas é low profile e deixa, após piadas sobre quem tem mais cartões de crédito, uma ligeira sensação de melancolia.

    Talvez a principal razão disso seja a essência do protagonista, Ryan. George Clooney interpreta esse consultor responsável por demitir funcionários que as empresas não têm coragem de dispensar. Sem laços com as irmãs e fazendo o tipo solteirão convicto, passa boa parte de seu tempo em aviões, aeroportos e hotéis. O maior objetivo de sua vida é conseguir 10 milhões de milhas e, assim, ser a sétima pessoa no mundo a obter um cartão ultra vip.

    Mas Ryan, enriquecido pelo charme, altivez e independência de Clooney, não encara esse objetivo como o passaporte para a felicidade. O meio vira finalidade e pouco importa a chance de ir para lugares desconhecidos com pessoas desconhecidas. Como espectador, é angustiante ver que Ryan realmente acredita no que diz: relações humanas não passam de peso na mala que impedem a agilidade da vida.

    Ele é o fruto da contemporaneidade: envolvimentos efêmeros, velocidade como um valor supremo e conexões humanas vazias. Não é à toa que passa o tempo em aeroportos (ponto para o livro de Walter Kirn e para o roteiro de Sheldon Turner e Reitman): existe um lugar mais sem raiz que um aeroporto? É melancólico observar que o único lugar que Ryan se sente conectado é justamente onde todos estão juntos, mas completamente separados.

    Mas a direção de Jason Reitman (Juno) não condena o egoísmo de seu anti-herói e propõe uma nova chance a ele. Com o surgimento de duas mulheres, a insegura assistente Natalie (Anna Kendrik) e a consultora Alex (Vera Farmiga), ele terá a oportunidade de rever seus valores e a crônica inaptidão para a relação.

    O personagem certo para o ator correto. George Clooney interpreta novamente o coroa sedutor, mas acrescenta a fragilidade e um humor sarcástico, crédito a ser dado pela direção.

    Amor Sem Escalas se equilibra entre o humor e a dor. Felizmente, não se deixa seduzir pelos finais fáceis das comédias românticas e Jason Reitman, assim como fizera em Juno, volta a apostar na felicidade possível.

    Reitman tem sua visão de mundo e faz um cinema que tenta se manter entre o autoral e o da indústria. Amor Sem Escalas indica que a solidão e as relações humanas foram a pulsão criativa do diretor, enquanto o humor foi o elemento que ele encontrou para não afastar o grande público – já que tanto Juno quanto Obrigado Por Fumar tiveram bilheterias razoáveis.

    O canadense não apenas mostra a felicidade possível de seus personagens, mas faz o voo estético que considera possível. Quem parar na primeira camada do filme, vai achar graça e classificar o personagem de Clooney de esquisito e estranho. Se ultrapassarmos o humor, vamos perceber que tudo aquilo é muito triste.

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