ANABAZYS

ANABAZYS

(Anabazys)

2007 , 98 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 27/03/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joel Pizzini, Paloma Rocha

    Equipe técnica

    Roteiro: Joel Pizzini, Paloma Rocha

    Produção: Sara Rocha, Tássia Milly

    Fotografia: Ajurimar Salles, Daniel Neves, Ricardo Stein, Robson Rumin

    Elenco

    Ana Maria Magalhães, Antônio Pitanga, Caco Caetano, Carlos Castello Branco, entre outros, Fernando Lemos, Glauber Rocha (arquivo), Ismail Xavier, Jece Valadão, Norma Bengell, Oliveira Bastos, Orlando Senna, Paula Gaitán, Raul William, Tarcísio Meira, Tetê Catalão

  • Crítica

    27/03/2009 00h00

    Existem temas que parecem inesgotáveis para o cinema. Glauber Rocha é um deles. Polêmico, hiperativo, irascível, tão genial quanto louco, Glauber deixou uma obra filmada que pode ser até considerada "menor" (no sentido quantitativo, claro) quando comparada à sua obra escrita e oral. Escritor e falador compulsivo, Glauber não tinha aquilo que os editores de imagem chamam de "ponto de corte", ou seja, quando começava a falar, dava a impressão que jamais terminaria, não parando sequer para respirar.

    Neste sentido, já faz anos que Paloma Rocha (filha de Glauber) e Joel Pizzini (marido de Paloma) se empenham em restaurar, documentar e - se é que isso é possível - organizar as enxurradas criativas do cineasta. Um dos frutos mais recentes deste esforço monumental é o documentário Anabazys. O filme é obrigatório para quem deseja compreender um pouco mais o cinema brasileiro e também para quem ainda não captou a dimensão da importância de Glauber neste panorama histórico. Quem viveu a Era Glauber tem a oportunidade de rever conceitos. Quem não viveu talvez se espante em perceber como o cinema daquele momento podia ser ao mesmo tempo tão diferente e tão igual ao de hoje. Tão igual: em determinado momento, Glauber fala (há quase 30 anos) que o cinema brasileiro vive perdido entre duas forças gigantescas - o Governo e a Globo.

    Tão diferente: impensável para as gerações atuais o cinema improvisado, sem roteiro e criado na hora que o cineasta propunha e realizava. Como também são impensáveis, na visão de hoje, as participações experimentais, artísticas e criativas que Glauber protagonizava na TV aberta dos anos 70 e início dos 80.

    Anabazys traz momentos preciosos que permitem apreciar o anárquico processo criativo do cineasta. Na era do som dublado, Glauber dirige seus atores na medida em que a câmara roda, como na época dos filmes mudos. E não se atém a roteiros. Improvisa, grita, berra, xinga, manda repetir sem cortar a cena. Chega a mandar que seu ator, Antonio Pitanga, vá pedir carona a um táxi caprichosamente parado próximo às locações, sem sair do personagem. Só para ver o que acontece. E continua filmando. Câmara na mão, improvisação, assumindo as falhas na tela, execrando a sonorização na pós-produção, Glauber "inventou" o Dogma 95 muitos anos antes dos dinamarqueses. Se os franceses inventaram o cinema mudo e os americanos o falado, Glauber inventou o cinema gritado.

    O documentário também explora delicados momentos políticos do cineasta, como a polêmica passagem em que ele afirma que o então General Geisel - presidente escolhido pela Ditadura Militar - seria o homem que abriria o país para a democracia. Uma declaração que jogou a intelectualidade e a classe artística brasileiras ferozmente contra o cineasta, naqueles anos de chumbo.

    São 98 minutos que valem como uma aula de cinema ou mesmo de história do Brasil. Imperdível para quem gosta de cinema e para quem mora no Brasil.

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