ANGIE

ANGIE

(Angie)

2011 , 83 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/04/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Márcio Garcia

    Equipe técnica

    Roteiro: Júlia Câmara

    Produção: Joe Lorenzo, Júlia Câmara, Márcio Garcia, Tal Vigderson, Uri Singer

    Fotografia: Jonathan Hall

    Estúdio: BB Film Productions, Marcio Garcia Producoes, Society Entertainment

    Distribuidora: H2O Filmes

    Elenco

    Alex Sander, Andy Garcia, Anya Andrews, Camilla Belle, Carol Castro, Christiane Torloni, Christine Griffith, Colin Egglesfield, Craig Gellis, Emily Nelson, Ingrid Rogers, Jennifer Cambra, John Savage, Juliette Lewis, Michael Cardelle, Michael King, Van White

  • Crítica

    09/04/2013 17h00

    Depois de uma estreia equivocada na direção com a comédia romântica Amor por Acaso, Márcio Garcia volta para trás das câmeras desta vez com um road movie que repete boa parte dos erros do primeiro filme: é ingênuo, insosso, nada criativo e previsível até a medula. Não vou por tudo na conta do Márcio, afinal, cinema é trabalho de equipe e os muitos problemas de Angie não se concentram apenas na inabilidade dele como diretor, mas também no roteiro pobre, atuações escolares, trilha sonora ruim e por aí vai.

    Angie não empolga em nenhum momento. A personagem que dá título ao filme é uma jovem brasileira, interpretada sem muita convicção pela atriz Camilla Belle, que vaga pelos Estados Unidos atrás de alguém que não sabemos ao certo quem é. Sua busca também não se evidencia em nenhum momento, pois o roteiro não apresenta elementos e situações que a demonstrem. Ela diz num telefonema que dá para a irmã no Brasil que ainda não achou a tal pessoa. Isso basta para o público saber que ela está atrás de alguém. O problema é vê-la ao longo do filme sem tomar nenhuma atitude prática para achar esse alguém.

    Quando a conhecemos ela está de passagem por uma cidadezinha. Trabalha como garçonete numa lanchonete e mora numa barraca de camping nos arredores do lugar. Nos seus momentos livres, gosta de pintar, apesar de em nenhum momento vermos sequer um esboço de seu trabalho. A câmara sempre está no contraplano, no máximo vemos um plano fechado no pincel que desliza sobre a tela. Grande pecado do roteiro, que poderia expor ao espectador resquícios de suas angústias e dilemas por meio de um vislumbre de seu trabalho.

    Seus momentos de solidão são quebrados pela presença de Chuck (Andy Garcia), um morador de rua que vive na carcaça de um carro velho nas proximidades de seu acampamento. Tem de se destacar aqui o talento de Garcia, que mesmo tendo de sustentar diálogos sofríveis, ainda assim consegue emprestar veracidade e dignidade a seu personagem. É aquele tipo de situação em que notamos claramente que a qualidade do trabalho do ator está salvando o enredo mal desenvolvido.

    Não é o que acontece com os outros, infelizmente. Andie deixa o lugar e vai parar numa localidade onde é abordada por um policial enquanto dorme dentro do carro. Ele é David (Colin Egglesfield), um bonitão de sorriso Colgate incapaz de convencer uma criança de que é policial. E, de fato, ele deixa de ser logo depois porque assim que se encanta por Andie parece ter entrado de férias. O desenvolvimento das circunstâncias que levam os dois a viver um romance é tão mal desenvolvido e óbvio que dá vontade de ter um controle remoto em mãos para acelerar a fita, pois está mais do que claro o que vai acontecer adiante.

    O filme por aqui sofre com graves problemas de passagem de tempo cênico. Coisa primária mesmo, fruto da falta de habilidade de Garcia e do montador. Não se consegue perceber os saltos temporais da trama, o que nos deixa surpreendidos quando temos de descobrir a fórceps que se passaram dias, semanas ou talvez meses dados os acontecimentos.

    Como em todo road movie que se preze, o caminho a ser percorrido leva o protagonista a descobertas e à redenção final. Só que em Angie tudo isso é exibido com uma falta de ritmo e criatividade atrozes. Meia hora antes de terminar o filme você já sabe tudo o que vai acontecer e como será seu desfecho. Pior: por essa hora você está tão entediado com o que viu que é provável que nem se importe muito em ficar na sala até a subida dos créditos.

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