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ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

(Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016)

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16/11/2016 19h11
por Daniel Reininger

Fãs de Harry Potter têm a sorte de contar com uma autora como J.K. Rowling, sempre disposta a escrever mais contos, livros e roteiros para ampliar o seu mundo mágico. É assim que nasceu a franquia Animais Fantásticos E Onde Habitam, um prólogo da história clássica ambientada em 1926, que acompanha, nesse primeiro filme, a aventura de Newt Scamander em visita à Nova York.

Quem é fã da saga, sabe que o livro que dá nome ao filme é um estudo de magizoologia com detalhes de diversas criaturas fantásticas existentes. Newt (Eddie Redmayne) foi o responsável por fazer um catálogo sobre elas, mas o longa não conta suas viagens ao redor do mundo para estudá-las, se é isso que você está pensando, ao invés disso, Newt é apresentado com um colecionador invejável de seres mágicos e seu manual já está pronto. Portanto, sua viagem à Nova York tem um objetivo pessoal.

Entretanto, o estudioso logo se mete em confusão quando alguns de seus animais escapam pela cidade norte-americana, já tensa com as atividades de Grindelwald, um dos terríveis feiticeiros sombrios que aterrorizaram a Europa antes de Voldemort. Se você não é fã dos livros e não faz a menor ideia de nada disso que comentei acima, então comece a se preocupar, afinal o filme não faz esforços para contextualizar as coisas para o espectador desavisado. E esse é um dos problemas do longa.

Para piorar, acompanhar a aventura de Newt e seus companheiros por Nova York não chega a ser tão interessante quanto ver Ron, Hermione e Harry em Hogwarts. Falta química ao quarteto composto ainda pela ex-auror Tina Goldstein (Katherine Waterston), o trouxa Jacob Kowalski (Dan Fogler) e a divertida Queenie Goldstein (Alison Sudol), de longe a melhor personagem do grupo, com sua atitude animada e hábito de entrar na mente das pessoas. No entanto, o maior problema é o protagonista vivido por Redmayne.

O vencedor do Oscar por A Teoria De Tudo tem o costume de alternar grandes atuações com outras não tão boas. Em Animais Fantásticos e Onde Habitam, o ator não chega a ser terrível como em O Destino De Júpiter, no qual vive um vilão extremamente clichê e mal interpretado, mas aqui ele não se destaca também, sempre apagado, com atitude desinteressante e crescimento de personagem nulo, ao ponto de ser difícil se relacionar com Newt.

Nem tudo é culpa do protagonista, afinal, o longa sofre ao não encontrar seu tom. Hora é sombrio e parece voltado ao público adulto, especialmente quando foca no auror Percival Graves (Colin Farrell) ou quando acompanha o drama de Credence (Ezra Miller), um bruxo criado numa violenta família de anti-bruxos, com temas como abuso infantil e traumas psicológicos. Hora é bobo demais, principalmente quando Newt e seus amigos abusam das piadas físicas. A pior delas inclui uma dança de acasalamento com algo semelhante a um hipopótamo.

A direção também é problemática, com tomadas estáticas e o uso excessivo de tela verde com CGI óbvio. David Yates, diretor de quatro filmes da saga Harry Potter, cai no mesmo problema de suas obras anteriores, tratando a magia quase como algo mundano e tirando o charme de cenas potencialmente incríveis, até porque já vimos tudo isso antes.

Ao menos, o filme ganha ao mostrar um lado do universo Harry Potter que praticamente não vimos em oito filmes, o lado político e social dos bruxos vivendo lado a lado com trouxas numa cidade gigantesca e moderna. Nova York é um terreno fértil para situações e ambientes diferentes dos vistos na série original de filmes, destaque para a sede da MACUSA, Congresso Mágico dos Estados Unidos. As diversas criaturas mágicas também se destacam e garantem momentos de fofura e diversão, em especial quando conhecemos o zoológico de Newt.

Animais Fantásticos e Onde Habitam não é capaz de capturar totalmente o clima mágico da franquia, apesar de ter boas cenas. As duas tramas paralelas só se encontram no final, quando o lado sombrio da história toma conta e contrasta ainda mais com os outros dois terços do filme. É o momento de mais fan service (cenas criadas com referências para esse público) e também com mais ligação com os filmes originais, entretanto, fica totalmente deslocado com a trama focada em Newt até então.

Era essencial Yates decidir o rumo a seguir, seja com algo adulto ou não, e essa indecisão impede o filme de atingir seu verdadeiro potencial. Além disso, o protagonista precisava ser muito mais interessante para conquistar os espectadores, especialmente os que não conhecem tão bem assim a franquia. O final deixa bastante a desejar e não cria tensão suficiente para esperarmos pela sequência. Apesar de estar claro como a franquia deve seguir, fica difícil imaginar o motivo de voltar mais quatro vezes ao cinema para acompanhá-la nos filmes futuros.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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