Animais Fantásticos e Onde Habitam

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

(Fantastic Beasts and Where to Find Them)

2016 , 133 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 17/11/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Yates

    Equipe técnica

    Roteiro: J.K. Rowling

    Produção: David Heyman, J.K. Rowling, Lionel Wigram, Neil Blair, Steve Kloves

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Warner Bros.

    Montador: Mark Day

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Alison Sudol, Carmen Ejogo, Christine Marzano, Colin Farrell, Dan Fogler, Eddie Redmayne, Ezra Miller, Fanny Carbonnel, Gemma Chan, Jason Newell, Jason Redshaw, Jenn Murray, Joe Malone, Jon Voight, Katherine Waterston, Lasco Atkins, Lobna Futers, Lucie Pohl, Peter Breitmayer, Ron Perlman

  • Crítica

    16/11/2016 19h11

    Por Daniel Reininger

    Fãs de Harry Potter têm a sorte de contar com uma autora como J.K. Rowling, sempre disposta a escrever mais contos, livros e roteiros para ampliar o seu mundo mágico. É assim que nasceu a franquia Animais Fantásticos E Onde Habitam, um prólogo da história clássica ambientada em 1926, que acompanha, nesse primeiro filme, a aventura de Newt Scamander em visita à Nova York.

    Quem é fã da saga, sabe que o livro que dá nome ao filme é um estudo de magizoologia com detalhes de diversas criaturas fantásticas existentes. Newt (Eddie Redmayne) foi o responsável por fazer um catálogo sobre elas, mas o longa não conta suas viagens ao redor do mundo para estudá-las, se é isso que você está pensando, ao invés disso, Newt é apresentado com um colecionador invejável de seres mágicos e seu manual já está pronto. Portanto, sua viagem à Nova York tem um objetivo pessoal.

    Entretanto, o estudioso logo se mete em confusão quando alguns de seus animais escapam pela cidade norte-americana, já tensa com as atividades de Grindelwald, um dos terríveis feiticeiros sombrios que aterrorizaram a Europa antes de Voldemort. Se você não é fã dos livros e não faz a menor ideia de nada disso que comentei acima, então comece a se preocupar, afinal o filme não faz esforços para contextualizar as coisas para o espectador desavisado. E esse é um dos problemas do longa.

    Para piorar, acompanhar a aventura de Newt e seus companheiros por Nova York não chega a ser tão interessante quanto ver Ron, Hermione e Harry em Hogwarts. Falta química ao quarteto composto ainda pela ex-auror Tina Goldstein (Katherine Waterston), o trouxa Jacob Kowalski (Dan Fogler) e a divertida Queenie Goldstein (Alison Sudol), de longe a melhor personagem do grupo, com sua atitude animada e hábito de entrar na mente das pessoas. No entanto, o maior problema é o protagonista vivido por Redmayne.

    O vencedor do Oscar por A Teoria De Tudo tem o costume de alternar grandes atuações com outras não tão boas. Em Animais Fantásticos e Onde Habitam, o ator não chega a ser terrível como em O Destino De Júpiter, no qual vive um vilão extremamente clichê e mal interpretado, mas aqui ele não se destaca também, sempre apagado, com atitude desinteressante e crescimento de personagem nulo, ao ponto de ser difícil se relacionar com Newt.

    Nem tudo é culpa do protagonista, afinal, o longa sofre ao não encontrar seu tom. Hora é sombrio e parece voltado ao público adulto, especialmente quando foca no auror Percival Graves (Colin Farrell) ou quando acompanha o drama de Credence (Ezra Miller), um bruxo criado numa violenta família de anti-bruxos, com temas como abuso infantil e traumas psicológicos. Hora é bobo demais, principalmente quando Newt e seus amigos abusam das piadas físicas. A pior delas inclui uma dança de acasalamento com algo semelhante a um hipopótamo.

    A direção também é problemática, com tomadas estáticas e o uso excessivo de tela verde com CGI óbvio. David Yates, diretor de quatro filmes da saga Harry Potter, cai no mesmo problema de suas obras anteriores, tratando a magia quase como algo mundano e tirando o charme de cenas potencialmente incríveis, até porque já vimos tudo isso antes.

    Ao menos, o filme ganha ao mostrar um lado do universo Harry Potter que praticamente não vimos em oito filmes, o lado político e social dos bruxos vivendo lado a lado com trouxas numa cidade gigantesca e moderna. Nova York é um terreno fértil para situações e ambientes diferentes dos vistos na série original de filmes, destaque para a sede da MACUSA, Congresso Mágico dos Estados Unidos. As diversas criaturas mágicas também se destacam e garantem momentos de fofura e diversão, em especial quando conhecemos o zoológico de Newt.

    Animais Fantásticos e Onde Habitam não é capaz de capturar totalmente o clima mágico da franquia, apesar de ter boas cenas. As duas tramas paralelas só se encontram no final, quando o lado sombrio da história toma conta e contrasta ainda mais com os outros dois terços do filme. É o momento de mais fan service (cenas criadas com referências para esse público) e também com mais ligação com os filmes originais, entretanto, fica totalmente deslocado com a trama focada em Newt até então.

    Era essencial Yates decidir o rumo a seguir, seja com algo adulto ou não, e essa indecisão impede o filme de atingir seu verdadeiro potencial. Além disso, o protagonista precisava ser muito mais interessante para conquistar os espectadores, especialmente os que não conhecem tão bem assim a franquia. O final deixa bastante a desejar e não cria tensão suficiente para esperarmos pela sequência. Apesar de estar claro como a franquia deve seguir, fica difícil imaginar o motivo de voltar mais quatro vezes ao cinema para acompanhá-la nos filmes futuros.

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