Pôster do filme Animais fantásticos: os crimes de Grindelwald

ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD

(Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald)

2018 , 134 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 15/11/2018

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    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • David Yates

    Equipe técnica

    Roteiro: J.K. Rowling

    Produção: David Heyman, J.K. Rowling, Lionel Wigram, Steve Kloves

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Heyday Films, Warner Bros. Pictures

    Montador: Mark Day

    Distribuidora: Warner Bros.

    Elenco

    Alison Sudol, Callum Turner, Carmen Ejogo, Claudia Kim, Dan Fogler, Derek Riddell, Eddie Redmayne, Ezra Miller, Fiona Glascott, Jessica Williams, Johnny Depp, Jude Law, Kamil Lemieszewski, Katherine Waterston, Kevin Guthrie, Ólafur Darri Ólafsson, Poppy Corby-Tuech, Sabine Crossen, Victoria Yeates, Zoë Kravitz

  • Crítica

    13/11/2018 18h33

    Por Daniel Reininger

    Os Crimes De Grindelwald amplia bem o universo mágico de J.K. Rowling ao mostrar ainda mais elementos do rico mundo de Harry Potter. São muitas novas criaturas, personagens, magias, locações, efeitos visuais impressionantes. Sem falar nas inúmeras referências para os fãs. Não faltam também as habituais revelações bombásticas que a autora adora incluir em suas histórias.

    O longa já começa a mil e as coisas só melhoram, com muito mistério e ação. Ambientado no final da década de 1920, logo após os eventos do filme anterior, mostra o retorno dos salvadores de Nova York: Newt (Eddie Redmayne), Tina (Katherine Waterston), Jacob (Dan Fogler) e Queenie (Alison Sudol) em uma nova aventura. Depois da adrenalina inicial, o longa ganha profundidade emocional com bons novos nome no elenco, principalmente Jude Law como Alvo Dumbledore.

    Claro que isso não significa que Crimes de Gridenwald não tenha problemas. Como a maioria dos filmes da saga, se você não conhece esse universo, tem boas chances de ficar perdido. Mesmo quem viu os anteriores pode se perder diante de tantas referências, subtramas e situações que nos remetem aos livros ou longas anteriores. Isso gera uma narrativa inchada de informações, que pode se tornar cansativa caso não cative rapidamente o espectador.

    Outro problema é a enrolação do roteiro. Pois é, apesar da quantidade de informações, em termos de narrativa, muito pouco acontece para avançar a trama principal. Se pegarmos os dois filmes da franquia Animais Fantásticos fica claro que quase nada aconteceu: basicamente temos o início da batalha entre Gridenwald e Dumbledore se desenhando lentamente. Dava pra ter tudo isso num filme caso o roteiro ignorasse certos detalhes e subtramas. É típico caso em que o preciosismo pesa contra.

    Sem falar que o maior problema da franquia (para mim) continua presente: Newt aparece no meio de tudo por motivos de falta de protagonista melhor. Ele é irritante e continua atrapalhando a narrativa, com Eddie Redmayne preguiçoso e viciado em trejeitos afetados, como vimos em A Teoria De Tudo e A Garota Dinamarquesa (nos quais ele ao menos mostrava interesse em sua interpretação, tanto que ganhou Oscar). Sinceramente, não entendo o motivo de manter um personagem tão desinteressante à frente de uma história com tanto potencial.

    Além disso, o retorno de Ezra Miller como Credence Barebone é decepcionante. O poderoso mago reprimido é quase tão desinteressante quanto Newt e faz muito pouco nesse filme. Era preciso aprofundar melhor seu personagem antes de dar tanta importância a ele nessa sequência. O garoto está procurando desesperadamente por sua verdadeira família, mas sua busca é chata e Miller dá um pouco de preguiça no papel. Sem falar que sua amizade com Nagini (Claudia Kim), versão humana da cobra de Voldemort, aparece só para agradar aos fãs.

    Apesar de tudo isso, esse ainda é um dos mais interessantes filmes da franquia até agora. Muito mais sombrio e adulto, com menos humor desnecessário, adição de personagens curiosos e tipos estranhos, magia usada de forma ostensiva, ação de qualidade e um vilão carismático, cujo discurso possui argumentos sólidos e válidos sobre seu desejo de querer um mundo controlado por bruxos, o filme realmente me agradou.

    Por sinal, Johnny Depp, muito criticado após as acusações de agressão contra sua ex-namorada, Amber Head, ao menos é cativante como o vilão do título. É legal ver como o ator enfrenta com tranquilidade o desafio de seguir os passos de Ralph Fiennes, sempre marcante como Lord Voldemort. O ator três vezes indicado ao Oscar finalmente deixa Jack Sparrow de lado e faz uma interpretação mais contida. É particularmente interessante ver como Rowling dá a ele uma ambiguidade moral necessária, capaz de deixar o personagem fascinante.

    Ainda sem a coesão necessária para se tornar um filme marcante para todos, ao menos o roteiro mostra uma evolução de J.K. Rowling no desenvolvimento de personagens e acontecimentos voltados para o cinema, mesmo que ainda sem objetividade. Para os fãs, isso não chega a ser um problema, afinal, quanto mais detalhes desse mundo forem revelados, melhor, mas o público em geral continua deixado de lado e esse é um problema da franquia há, pelo menos, sete filmes.

    Apesar de repetir erros do passado, a melhora é inegável e, por isso, Os Crimes de Gridenwald é uma bela adição ao universo de Harry Potter. Sombrio, divertido e cheio de elementos capazes de aprofundar esse mundo fantástico, o filme prepara terreno para o que vêm por aí e a expectativa não poderia ser melhor.

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