Pôster de Aniquilação

ANIQUILAÇÃO

(Annihilation)

2017 , 115 MIN.

16 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 12/03/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alex Garland

    Equipe técnica

    Roteiro: Alex Garland

    Produção: Allon Reich, Andrew MacDonald, Eli Bush, Scott Rudin

    Fotografia: Rob Hardy

    Trilha Sonora: Ben Salisbury, Geoff Barrow

    Estúdio: DNA Films, Paramount Pictures, Scott Rudin Productions, Skydance Media

    Montador: Barney Pilling

    Distribuidora: netflix, Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Benedict Wong, David Gyasi, Gina Rodriguez, Jennifer Jason Leigh, John Schwab, Josh Danford, Kristen McGarrity, Natalie Portman, Oscar Isaac, Sammy Hayman, Sonoya Mizuno, Tessa Thompson, Tuva Novotny

  • Crítica

    19/03/2018 17h27

    Por Daniel Reininger

    Aniquilação, novo filme do diretor Alex Garland, é um sci-fi inteligente e estranho. Não é tão acessível e nem tão bem executado quanto Ex Machina, mas é ousado, não tem vergonha de ser esquisito e é capaz de criar muita tensão em meio a situações bizarras.

    O longa é baseado na obra de Jeff VanderMeer, que funciona como um tributo a H.P. Lovecraft, que no início no século passado criou deuses antigos alienígenas, como Cthulhu, e explorou a fragilidade dos humanos, física e psicologicamente, diante de forças do outro mundo.

    Na trama do longa, uma força brilhante esquisita se expande na costa dos EUA. Lena (Natalie Portman), uma cientista, ex-militar, viúva há um ano, acaba se tornando voluntária para entrar na área afetada e explorar o fenômeno que ameaça consumir a Terra em alguns anos, provavelmente acabando com a raça humana como conhecemos.

    Natalie Portman segura o longa praticamente sozinha e está muito bem no papel de Lena. Ela é ajudada pelo ótimo elenco que conta ainda com Tessa Thompson, Tuva Novotny, Gina Rodriguez e Jason Leigh, parceiras de Portman na exploração do bizarro evento. O problema aqui é o pouco espaço para o sempre ótimo Oscar Isaac, que quase não aparece no longa.

    A premissa é interessante; o longa gera muita tensão, mas um erro da narrativa é decidir começar pelo fim, algo desnecessário, e sempre entregar quem será a próxima vítima devido ao enquadramento, sempre isolando na tela a pessoa que vai morrer. Isso acaba um pouco com o suspense e, apesar do mistério em torno do evento e da tensão constante segurarem bem o longa, tudo ficaria melhor se não entregasse nada antes da hora.

    A história contém elementos familiares de outras obras do diretor e roteirista, como eventos apocalípticos, dilemas éticos, questões de gênero e identidade. Garland normalmente sabe o que está fazendo, mas, muitas vezes, ele se perde em ideias nesse filme, principalmente em seu clímax.

    Visualmente o longa empolga, mas poderia ser ainda mais incrível se as plantas e criaturas presentes na área afetada pelo fenômeno fossem mostradas com mais frequência. Sim, seres estranhos estão lá, mas são raros considerando a situação. Um pouco mais de cuidado nos cenários ampliaria a sensação de bizarrice necessária para o longa funcionar ainda melhor. Dito isso, novamente o final é a parte menos inspirada e, talvez, até mais esquisita do longa – com efeitos questionáveis e revelações que podem ser viagem demais para a maioria dos espectadores.

    Aliás, diante disso, fica clara a venda do filme para a Netflix. Comercialmente, o longa não teria muita chance de fazer sucesso nos cinemas, a concorrência com blockbusters fáceis de digerir é desleal. Embora seja triste ver um belo filme como esse ir direto para a Netflix, é certamente uma plataforma com mais espaço para longas como esse.

    Entretanto, o longa é capaz de discutir o que significa ser humano e faz um ótimo trabalho em questionar o lugar da humanidade na natureza e até a própria realidade. A própria aniquilação da humanidade se torna um tema a ser discutido, diante as revelações da obra. São questões inquietantes e o longa não oferece respostas fáceis, exatamente como esperamos de grandes obras de ficção científica.

    Aniquilação é uma obra impressionante e com uma temática bastante interessante, mas nem sempre é tão bem feito quanto poderia. Algumas falhas de narrativa e algumas omissões na questão de design de produção e CGI não passam despercebidos, mas o longa tem coragem de ir além do lugar comum e criar algo esquisito, porém realista. Claro que as ótimas atuações ajudam nesse quesito. Não é uma obra fácil, mas certamente é obrigatória para todos os fãs do gênero.

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