ANNA KARENINA (2012)

ANNA KARENINA (2012)

(Anna Karenina)

2012 , 129 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/03/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joe Wright

    Equipe técnica

    Roteiro: Tom Stoppard

    Produção: Paul Webster, Tim Bevan

    Fotografia: Seamus McGarvey

    Trilha Sonora: Dario Marianelli

    Estúdio: StudioCanal, Working Title Films

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Aaron Taylor-Johnson, Alexandra Roach, Alicia Vikander, Allegra Giagu, Bill Skarsgård, Buffy Davis, Claire Greenway, Conor McCarry, Denis Khoroshko, Domhnall Gleeson, Edward Lewis French, Emerald Fennell, Emily Watson, Eros Vlahos, Gergo Brummel, Greg Bennett, Guro Nagelhus Schia, Hera Hilmar, Holliday Grainger, James Fiddy, James Northcote, Jensen Freeman, John Bradley, Jude Law, Jude Monk McGowan, Keira Knightley, Kelly Macdonald, Kenneth Collard, Kostas Katsikis, Kyle Soller, Luke Newberry, Martin Poole, Matthew MacFadyen, Max Bennett, Michelle Dockery, Nicholas Blatt, Olivia Williams, Oskar McNamara, Paul Ham, Raphaël Personnaz, Ruth Wilson, Sarine Sofair, Shirley Henderson, Stephanie Elstob, Susanne Lothar, Tannishtha Chatterjee, Telman Guzhevsky, Victoria Ley

  • Crítica

    12/03/2013 14h45

    "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". Esse é o início de Anna Karenina e uma das introduções mais famosas da literatura mundial. A frase de Liev Tolstói nem ao menos é citada no filme homônimo de Joe Wright. Parece uma falha? Pelo contrário. O longa seguiu um caminho diferenciado, com um clima teatral que o desliga da representação fiel, tornando-o uma peça audiovisual única.

    Obviamente, trama bem articulada, diálogos e personagens profundos são heranças da literatura. Wright já havia encarado a empreitada da adaptação outras duas vezes ao lado da atriz Keira Knightley: em Orgulho e Preconceito e no ótimo Desejo e Reparação. Em Anna Karenina, a atriz dá vida à complexa personagem russa do século 19. Quando viaja ao encontro do irmão Oblonsky (Matthew Macfadyen) para ajudar a salvar seu casamento, acaba por conhecer Conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson). O conflito moral surge quando, no vazio de uma vida aristocrática ao lado de Alexei Karenin (Jude Law), apaixona-se pelo jovem oficial.

    A evolução de Keira ao longo dos três filmes é perceptível. Apesar de não ter desempenho excepcional, a personagem parece cair como uma luva para seus traços expressivos. Dos protagonistas, Law se destaca ao viver o alto funcionário do governo extremamente rígido e bondoso – desde que o jogo esteja a seu favor. Alexei parece imergir na penumbra da casa dos Karenin, numa triste crença religiosa que não ultrapassa a racionalidade. Já Taylor-Johnson cumpre seu papel, mas não vai muito além disso.

    Tendo como marca o exagero do teatro, a produção do longa impressiona. Nas sequências dos bailes de época, dezenas de atores vestidos de forma opulenta permanecem estáticos enquanto o foco está apenas no movimento de um casal. O cenário evidente em várias sequências reitera o clima dos palcos. Em uma das cenas, talvez a melhor do filme, um cavalo cai de forma violenta, deixando o elenco estarrecido na plateia - ou na arquibancada do jockey, dentro dessa metalinguagem.

    A Karenina de Wrigh e do roteirista Tom Stoppard (Shakespeare Apaixonado) sonha alto quando se enamora e acredita ser possível enfrentar o julgamento da sociedade para concretizar o que deseja. Porém, quando a realidade se mostra menos encantadora e romântica, entra em um estado de confusão mental. As cenas da engrenagem de um trem em alta velocidade são marcantes na edição. Pouco antes de conhecer Vronsky, a personagem fica impressionada com o acidente fatal de um trabalhador estraçalhado pela locomotiva. Em seus momentos de angústia, a passagem retorna ao espectador para induzir a sensação de esmagamento subjetivo.

    Ao longo da trama, Levin (Domhnall Gleeson) marca um interessante contraponto à Oblonsky. Ao ser rejeitado por Kitty (Alicia Vikander), filha do amigo, passa a questionar o amor e o sentido existencial, enquanto o irmão de Karenina mostra-se mais instintivo e relapso ao falar de tais assuntos. Ele traz em si o lado mundano, prático, ao passo que o personagem de Gleeson parece representar uma metáfora para a tomada de consciência em meio à perdição da protagonista.

    Em determinada cena, a voz interior do rapaz vem de um velho sábio do campo, o qual pontua a felicidade na vida simples e pura, alheia a julgamentos externos. O dourado resplandecente do trigo evoca algo sagrado e o clima etéreo ganha força com a fotografia de contraste forte, que não poderia ser menos marcante sob a direção de Seamus McGarvey (Desejo e Reparação, As Horas).

    Como grande parte das personagens da literatura russa daquela época, Karenina não é boa nem má, oscila entre opostos - algo que torna sua história extremamente atual. Questões como traição e julgamento também interam a complexidade do drama. Mas por ser a adaptação de uma obra tão clássica e ousar em termos de linguagem, o filme de Wright pode cair no mesmo limbo de Os Miseráveis diante do espectador, sem deixar espaço para meio termo: ame ou odeie.


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