Anos Felizes

ANOS FELIZES

(Anni felici)

2013 , 106 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniele Luchetti

    Equipe técnica

    Roteiro: Caterina Venturini, Daniele Luchetti, Sandro Petraglia, Stefano Rulli

    Produção: Giovanni Stabilini, Marco Chimenz, Riccardo Tozzi

    Fotografia: Claudio Collepiccolo

    Trilha Sonora: Franco Piersanti

    Estúdio: Babe Film, Cattleya, Rai Cinema

    Montador: Mirco Garrone

    Elenco

    Angelique Cavallari, Benedetta Buccellato, Ivan Castiglione, Kim Rossi Stuart, Martina Gedeck, Micaela Ramazzotti, Niccolò Calvagna, Pia Engleberth, Samuel Garofalo, Sylvia De Fanti

  • Crítica

    26/05/2014 19h11

    Parece uma simples história de família, mas não é. Sutil e solar, Anos Felizes aborda as transformações pessoais geradas pela perda da inocência, nem sempre ligada à nossa infância. Com bela fotografia, o filme de Daniele Luchetti é uma boa lição sobre como superar perspectivas negativas da vida. 

    Na trama, Guido é um artista pretensioso e narcisista em busca da expressão absoluta de seu trabalho. Divide o tempo entre seu ateliê, suas amantes e a família formada pela esposa e dois filhos. Necessariamente nesta ordem. Quando sua exposição é rejeitada pela crítica, ele é obrigado a rever a maneira de enxergar o mundo e lidar com as transformações do universo ao redor.

    Já adulto, é Dario, filho mais velho de Guido, quem narra a história de Anos Felizes, reconstituindo as experiências de sua família no verão de 1974. Ele e o irmão Paolo estão no centro da relação problemática de seu pai e sua mãe, Serena, uma "esposa padrão" que dedica todas as suas energias para manter o marido por perto e a família reunida.

    Ainda que a história repasse os momentos da infância do narrador, fica claro que aquele não é o ponto de vista de uma criança sobre os acontecimentos de uma época de sua vida. O recorte para a narração revela um Dario transformado e evoluído a partir daquele verão, denominado por ele como "o verão da perda da inocência".

    No primeiro momento, parece apenas uma trama de embate entre um artista "libertário" e a moralidade das relações comuns. Mas não é. O filme acompanha o processo de questionamento dos valores desta família e é eficiente ao traduzir a origem da personalidade de cada um. Como nos tornamos a pessoa de nossa vida adulta? Em que medida as experiências da nossa infância determinam nossa maneira de enxergar o mundo? Com sutileza e pontualidade, Anos Felizes responde bem a essas perguntas.

    O processo de introspecção é leve e iluminado: a bela e clara fotografia, ambientada entre os vilarejos italianos e o litoral francês, acompanha o desenvolvimento dos seus personagens à medida em que eles tomam distanciamento do núcleo familiar. Como a câmera que o garoto Dario sonha ter, o longa amplia a perspectiva de cada pessoa inserida nele. Destaque para a última cena, a qual traduz o verdadeiro significado da palavra cuidado.

    Que perspectiva escolhemos para encarar as experiências, mesmo as de maior impacto, que sofremos ao longo da vida? Daniele Luchetti incita o espectador a escolher óticas mais solares para as próprias desilusões. A mensagem é valiosa, e o filme, encantador. Daqueles que fazem a gente sair sorrindo da sala de cinema.

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