ANTES DO PÔR-DO-SOL

ANTES DO PÔR-DO-SOL

(Before Sunset)

2004 , 80 MIN.

Gênero: Romance

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Richard Linklater

    Equipe técnica

    Roteiro: Ethan Hawke, Julie Delpy, Richard Linklater

    Produção: Anne Walker-Mcbay, Richard Linklater

    Fotografia: Lee Daniel

    Estúdio: Castle Rock Entertainment

    Elenco

    Albert Delpy, Ethan Hawke, Julie Delpy, Louise Lemoine Torres, Mariane Plasteig, Marie Pillet, Rodolphe Pauly, Vernon Dobtcheff

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Alguns filmes encontram na simplicidade a mais poderosa arma para conquistar o público. Tecnicamente, Antes do Pôr-do-Sol não apresenta muitas inovações. Esta continuação de Antes do Amanhecer (1995) - um dos melhores filmes românticos da década de 90, na minha honesta opinião - encontra na complexidade de seus diálogos a força necessária para prender o espectador durante as longas tomadas dirigidas por Richard Linklater.

    Antes de falarmos deste filme, vamos fazer uma rápida retrospectiva sobre seu antecessor: em 1995, em Antes do Amanhecer, a francesa Cèline (Julie Delpy) e o americano Jesse (Ethan Hawke) se conheceram em um trem na Europa. A química que explodiu entre os dois é forte o suficiente para desencadear ótimas conversas e um relacionamento de 14 horas capaz de ser mais profundo do que muitos casamentos. Como cada um precisava tomar seu rumo, resolveram marcar um encontro em seis meses, só que Cèline não apareceu. Em Antes do Pôr-do-Sol, os dois personagens se encontram novamente, por acaso. É quando descobrimos o que aconteceu com cada um nove anos depois e também as marcas que aquelas 14 horas deixaram na dupla de protagonistas, que passeia e fala, sem parar, nas ruas de Paris.

    Antes do Pôr-do-Sol é um filme belo, maduro e reflexivo. As conversas de Cèline e Jesse giram em torno de relacionamentos amorosos, profissão, a memória e, claro, o amadurecimento. Enquanto que no primeiro filme os dois são estudantes prontos para a vida, aqui eles já levaram tombos suficientes para saber que a realidade é mais agridoce do que se pode idealizar aos vinte anos. Os diálogos e situações - totalmente baseados no real, no mundano - mostram que se trata de duas pessoas cuja vida, no final das contas, sempre foi marcada pelas possibilidades. Pensa-se mais no passado, no futuro e nas possibilidades do que no presente e é por conta dessa constante idealização dos sentimentos e das pessoas que Cèline e Jesse se mostram tão agridoces frente à vida.

    O encontro serve para que os dois possam pensar no "e se...". O que teria acontecido se Jesse tivesse esquecido Cèline? Provavelmente ele não a encontraria neste filme, já que ele está em Paris divulgando o livro que escreveu sobre suas lembranças sobre aquela noite. E se os dois tivessem ficado juntos por mais de 14 horas? Se tivessem se encontrado seis meses depois? Não se sabe e, na verdade, não interessa.

    Ao espectador, resta curtir o encontro, não somente dos personagens, mas de Linklater, Julie e Hawke, as mãos que escreveram os diálogos tão especiais deste filme, mostrando a mágica que a química entre as pessoas pode fazer aos filmes. E, claro, o momento, sem pensar no final ou na Viena de Antes do Amanhecer.

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