ANTI-HERÓI AMERICANO

ANTI-HERÓI AMERICANO

(American Splendor)

2003 , 101 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Pulcini, Shari Springer Berman

    Equipe técnica

    Roteiro: Robert Pulcini, Shari Springer Berman

    Produção: Ted Hope

    Fotografia: Terry Stacey

    Trilha Sonora: Eytan Mirsky, Mark Suozzo

    Estúdio: Home Box Office (HBO)

    Elenco

    Cameron Carter, Chris Ambrose, Daniel Tay, Harvey Pekar, Hope Davis, Joey Krajcar, Josh Hutcherson, Paul Giamatti

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Enaltecer personagens losers, ou perdedores, não é uma prática muito comum no cinema norte-americano, mas, quando isso acontece, geralmente é sinal de boa coisa pela frente - especialmente quando o espectador-alvo é daquele que gosta de pensar ao ver um filme. Anti-Herói Americano, ganhador do prêmio Um Certo Olhar em Cannes e grande vencedor do Festival de Sundance em 2003, é um belo exemplo de como a vida de um loser pode ser muito mais do que motivo para se fazer piadas.

    O protagonista desse filme diz que "a rotina é algo bem complexo". A frase, que pode ficar perdida entre tantas genialidades ditas ao longo do filme, é algo que poderia resumir o que nosso anti-herói vive: uma rotina tão complexa quanto a de qualquer um. O filme é baseado na série de quadrinhos American Splendor. Inéditas no Brasil, as histórias são uma espécie de diário, mostrando o cotidiano de Harvey Pekar (Paul Giamatti), protagonista e criador dessas histórias, publicadas nos EUA desde 1976. Enquanto as próprias situações dos quadrinhos são adaptadas pelos diretores Shari Springler Berman e Robert Pulcini para a telona, Harvey Pekar em pessoa aparece no longa comentando (de forma mal-humorada, claro) sua própria vida.

    Nosso anti-herói é um arquivista em um hospital em Cleveland que vive sozinho em um muquifo cheio de discos e revistas jogados por todos os cantos. Pekar pode ser considerado um loser por não ter dinheiro, nem muitos amigos, nem um emprego divertido ou mesmo acontecimentos que tornem seus dias divertidos. Deve ser por isso que é tão mal-humorado e reclamão. Afinal, reclamar é a forma que ele arranja para conseguir lidar com uma vida tão chata e longe do clássico "sonho americano" - o que não é muito diferente da maioria das pessoas.

    Entre um dia de trabalho e outro, Pekar preenche seu tempo comprando vinis e conversando sobre música, cultura americana e novos sabores de balas com seus amigos. Quando a idéia de fazer uma história em quadrinhos surge e o sucesso bate à sua porta, Pekar fica relativamente conhecido nos EUA e até conhece a mulher ideal: Joyce (Hope Davis). Tão sarcástica quanto Pekar, ela viaja a Cleveland para conhecer o homem que faz os quadrinhos que ela tanto gosta. A decepção acontece, mas os dois são parecidos demais para conseguirem ficar longe um do outro.

    Anti-Herói Americano é um filme simples. Seu charme está exatamente nessa simplicidade e, também, na atuação de Paul Giamatti. Sempre escalado para papéis secundários, o perfil do ator nunca permitiu que ele fosse protagonista de algum filme de Hollywood, até que surgiu esta produção. Parece que ele nasceu para ser Pekar e vice-versa. O personagem é o mais sincero possível e não há uma necessidade de se mostrar aventuras ou coisas que saiam do seu cotidiano. A vida real é complicada, sim, e é exatamente isso que Anti-Herói Americano mostra. Por isso, no final das contas, não é difícil se identificar com o anti-herói do filme. Mesmo que você não se considere um loser.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus