ANTICRISTO

ANTICRISTO

(Antichrist)

2009 , 109 MIN.

18 anos

Gênero: Terror

Estréia: 28/08/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lars von Trier

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Meta Louise Foldager

    Fotografia: Anthony Dod Mantle

    Trilha Sonora: Kristian Eidnes Andersen

    Estúdio: Arte, arte France Cinéma, Canal+, CNC, Danmarks Radio (DR), Det Danske Filminstitut, Film i Väst, Filmstiftung Nordrhein-Westfalen, Liberator Productions, Lucky Red, Memfis Film, Nordisk Film- & TV-Fond, Polski Instytut Sztuki Filmowej, Slot Machine, Svenska Filminstitutet (SFI), Sveriges Television (SVT), Trollhättan Film AB, ZDF/Arte, Zentropa Entertainments, Zentropa International Köln, Zentropa International Poland, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF)

    Elenco

    Charlotte Gainsbourg, Storm Acheche Sahlstrøm, Willem Dafoe

  • Crítica

    27/08/2009 16h01

    Lars Von Trier não é exatamente conhecido por ser amado por seus atores ou mesmo por quem trabalha com ele. Nos extras de Dogville, Nicole Kidman confessa não ser nada fácil trabalhar com o diretor dinamarquês. Mas geralmente compensa: em Anticristo, Charlotte Gainsbourg apresenta a interpretação de sua carreira. O trabalho até lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no último Festival de Cannes. E, aliás, é o melhor elemento no novo filme de um dos idealizadores do Dogma 95, que, mais uma vez, assume de forma corajosa um filme polêmico desde a primeira exibição pública, ocorrida no festival francês.

    Neste filme, Lars Von Trier deixa com que a natureza tome seu curso em seus personagens, como se retomasse alguns dos preceitos do Dogma 95, como o naturalismo no ato de se fazer cinema. O epílogo é de uma beleza única: em fotografia preto-e-branco, mostra uma belíssima cena de sexo em câmera lenta entre os protagonistas, vividos por Charlotte e Willem Dafoe; paralelamente, Nic, o filho do casal, acorda no meio da noite. É uma tragédia anunciada, a mesma que permeia toda a narrativa do longa, calcada nessa dor dos personagens, nesse medo na medida em que têm de encarar a natureza, em si, que se mostra em seus medos, delírios e tragédias. O filme baseia-se simplesmente na entrega corporal, até, de Charlotte à dor de uma mãe, momento incomparável e indefinível.

    O filme é estruturado em capítulos, desenvolvendo-se principalmente na estética como uma fábula, um conto de fadas adulto, cercado pela tragédia a todo momento. A fotografia é impressionante e consegue levar o espectador a ser inserido na trama, temendo genuinamente a natureza que cerca os protagonistas. O filme incomoda, isso é fato, mas não se pode esperar menos de uma produção de suspense. A música quase não aparece no longa-metragem, ficando restrita de forma potente no prólogo e o epílogo por meio do trecho Lascia Ch'io Pianga, da ópera Rinaldo, composta por Georg Friedrich Händel.

    É numa floresta chamada Éden – que, na tradição bíblica, é a habitação primitiva dos homens - que os protagonistas vão de encontro aos seus tormentos. Lá, o casal tem contato com os sentimentos mais instintivos, principalmente relacionados ao medo; na medida em que ela se entrega à essa natureza - “a igreja do Satanás”, como ela mesma define -, o caos toma conta da rotina do casal, que, se foi lá para se curar das dores, acaba lidando com todas elas ao mesmo tempo. O filme também retorna ao estudo ao qual a personagem feminina se dedicava antes da tragédia abater a vida familiar: uma tese sobre feminicídios. A palavra é ligada não somente a assassinatos contra mulheres, mas também à tortura, como se os crimes incorporassem a maldade, a crueldade contra as mulheres.

    Quando explora a loucura dos protagonistas no momento em que deixam a natureza conduzir seus atos, Anticristo acerta, principalmente pelas atuações e na criação do clima; Von Trier consegue explorar de forma única as locações naturais. No entanto, quando gira em torno do tratamento psicológico ao qual o marido, psicólogo, submete a esposa, que se afunda cada vez mais no luto, o filme perde o ritmo. Reflexos das próprias crenças do diretor, que não acredita em terapia. Percebe-se: o tratamento não surte efeito nenhum, pelo contrário. Ao abordar a questão dos feminicídios, Anticristo pisa em falso: passa uma falsa mensagem misógina. Claro, o final acaba dando a impressão de misoginia, mas a crueldade da personagem é livre de gêneros. De qualquer maneira, não há dúvidas que Lars Von Trier faz o que pretende com seu cinema: provoca. Provoca o espectador, provoca debates, provoca a reflexão.

    Em tempo: a raposa que fala com o protagonista é algo que não dá para encarar de uma forma muito séria. Reflita: o que Lars Von Trier queria com esse animal?

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