AOS VENTOS QUE VIRÃO

AOS VENTOS QUE VIRÃO

(Aos Ventos que Virão)

2013 , 94 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 24/07/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Hermano Penna

    Equipe técnica

    Roteiro: Hermano Penna

    Produção: Ana Clara Rafaldi

    Fotografia: André Lavenére

    Trilha Sonora: José Luiz Penna, Tiago Araripe

    Estúdio: Luz XXI Cine Video

    Distribuidora: Pandora

    Elenco

    Edlo Mendes, Emanuelle Araújo, Francisco Gaspar, Lúcio Tranchesi, Luis Miranda, Marat Descartes, Rui Ricardo Diaz

  • Crítica

    21/07/2014 21h00

    Foi um filme de Hermano Penna,o sucesso Sargento Getúlio, que reinaugurou o Cine Belas Artes em 1983, depois de um incêndio que o destruiu no ano anterior. Depois de passar os últimos três anos com as portas fechadas, o popular cinema paulista volta a receber o público, agora batizado de Caixa Belas Artes. E o cineasta cearense tem mais uma vez o privilégio, 31 anos depois, de reinaugurar o espaço. Seu novo filme, Aos Ventos Que Virão, sobre as desventuras de um ex-cangaceiro após a morte de Lampião, marca o renascimento do tradicional cinema de rua.

    Seu nome é Zé Olímpio (Rui Ricardo Dias, de Lula, O Filho do Brasil). Morador de um pequeno vilarejo chamado Poço Redondo, no interior de Sergipe, Olímpio tenta escapar da caçada implacável da polícia aos remanescentes do bando de Virgulino. Com a ajuda do amigo Nêgo de Rosa (Luis Miranda, de De Pernas pro Ar 2), consegue driblar o chefe da polícia local, sargento Isidoro (Edlo Mendes), e fugir para São Paulo ao lado da mulher, Lúcia (Emanuelle Araújo, de Ó Paí, Ó). Mas na capital paulista tem de enfrentar outros inimigos: o preconceito e a pobreza.

    O ex-cangaceiro vai trabalhar na construção civil. Penna, também autor do roteiro, situa seu personagem num contexto maior e conta um pedaço da história do país através dos infortúnios de seu protagonista. Dotado de um senso de justiça adquirido nos tempos de cangaço, Olímpio tem dificuldade de lidar com a iniquidade, seja a do interior nordestino - que a levou a virar cangaceiro - seja a injustiça da grande metrópole.

    Como é característico do diretor, não há cena em seu filme que sobra, que soe supérflua ou esteja ali somente para preencher uma lacuna narrativa. O mesmo ocorre com os diálogos, sempre construídos de forma a passar uma mensagem subjacente ao espectador. Penna exagera um pouco nesta disposição, o que acaba sacrificando a naturalidade de certas situações.

    Mas é daí também que saem ótimas sequências, como quando Olímpio assiste a uma apresentação na empresa na qual o palestrante (Marat Descartes, de Quando Eu Era Vivo) confronta razão e emoção e acusa os nordestinos de agir pautados por esta. Mais adiante, tentando se guiar por esses ensinamentos, Olímpio repete as palavras e, pouco depois, é confrontado pela realidade, descobrindo que a razão - no seu caso - pode rimar com resignação .

    Olímpio não contemporiza diante de uma injustiça da qual é vítima. De volta à sua terra – para cuidar do inventário do pai - é incitado pelos amigos a se candidatar a prefeito. O  filme faz, neste momento, uma elipse que não convence muito. A montagem cadenciava o filme num ritmo e foi pressurosa aqui. Alguns personagens, como Lúcia e o sargento Isidoro – importantes para a trama – também têm suas histórias mal resolvidas pelo roteiro.

    Mesmo com escorregões narrativos aqui e ali, Aos Ventos Que Virão segue, um tanto trôpego no seu terço final, é verdade, mas mantendo o interesse do público. Uma boa história, de bons personagens, bons atores, mas que precisava que o autor se debruçasse mais sobre o roteiro. A montagem também não ajuda. Sobrou apenas uma base de apoio do tripé de sustentação deste e qualquer filme: a direção. Hermano Penna manda bem no que sabe fazer, dirigir, só precisa delegar funções.

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