APAIXONADO THOMAS

APAIXONADO THOMAS

(Thomas Est Amoureux / Thomas in Love)

2000 , 92 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pierre-Paul Renders

    Equipe técnica

    Roteiro: Philippe Blasband

    Produção: Diana Elbaum

    Fotografia: Virginie Saint-Martin

    Elenco

    Alexandre von Sivers, Aylin Yay, Benoît Verhaert, Dominique Baeyens, Eric Kasongo, Frédéric Topart, Magali Pinglaut, Micheline Hardy, Serge Larivière

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    A trama até poderia ser banal: Thomas é um sujeito que divide seu tempo entre fazer terapia, tentar consertar seu aspirador de pó e praticar sexo virtual no seu moderno computador. Eventualmente discute com sua mãe e, às vezes, tenta arrumar uma companheira. Uma história aparentemente simples não fosse por um detalhe: o personagem principal jamais aparece no filme. Tudo porque Thomas tem agorafobia, uma doença que o impede de sair de casa e de receber pessoas. A idéia é do roteirista Phillipe Blasband, o mesmo autor do elogiado Uma Relação Pornográfica.

    Para ressaltar todo este clima claustrofóbico, o diretor Pierre-Paul Renders optou por mostrar o mundo de Thomas apenas através de seu computador. É somente via webcams e videofones que ele faz sua terapia, se associa a uma agência matrimonial, faz compras e até conversa com prostitutas, mesmo sabendo que não irá se encontrar pessoalmente com nenhuma delas. É o auge do isolamento dos tempos modernos, retratado por meio de um filme com sabor de século 21: contemporâneo, até certo ponto frio e altamente tecnológico.

    Assim como Thomas, a câmera praticamente não se movimenta. Não há tomadas externas. O espectador conhecer todas as pessoas que se relacionam com o personagem-título somente pelos escudos da tecnologia. Venha ela travestida de microcâmera ou de realidade virtual.

    O filme guarda grandes semelhanças com o ótimo Denise Está Chamado, de 1995, em que os personagens jamais se encontravam pessoalmente e tudo era resolvido por telefone. Agora, bipes e secretárias eletrônicas são substituídos por tecnologias mais avançadas e o isolamento social é ainda maior.

    Ao mesmo tempo bem-humorado e cruel, Apaixonado Thomas levanta questões fundamentais desta virada de milênio. Entre elas, uma é inevitável: nestes tempos de grades altas, chats e carros blindados, Thomas é agorafóbico ou todos nós seremos?

    Este é o primeiro longa-metragem dirigido integralmente por Renders. Em 92, ele foi um dos sete cineastas que assinaram a direção coletiva da produção belga Os Sete Pecados Originais. Nesta sua estréia “solo”, Renders recebeu o prêmio da crítica no Festival de Veneza do ano passado.

    12 de setembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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