Pôster de Apenas o Vento

APENAS O VENTO

(Csak a szél)

2012 , 86 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Benedek Fliegauf

    Equipe técnica

    Roteiro: Benedek Fliegauf

    Produção: András Muhi, Ernö Mesterházy, Mónika Mécs

    Fotografia: Zoltán Lovasi

    Trilha Sonora: Bence Fliegauf, Tamás Beke

    Estúdio: Inforg-M

    Montador: Xavier Box

    Distribuidora: Zeta Filmes

    Elenco

    Attila Egyed, Emese Vasvári, Éva Papp, Franciska Töröcsik, Gergely Kaszás, Gyöngyi Lendvai, György Toldi, Gyula Horváth, Gyula Jungwirth, Kálmán Csurár, Károlyné Katalin Szakály, Katalin Toldi, Lajos Sárkány, Laszlo Cziffer, Máté Tóth, Zsolt Végh

  • Crítica

    22/07/2013 18h55

    Foi certeiro o título do novo longa do húngaro Benedek Fliegauf, um dos diretores mais ousados de sua geração. A frase "é Apenas o Vento" antecede uma cena completamente perturbadora. A trama se baseia na série de assassinatos de ciganos ocorrida na Hungria entre 2008 e 2009. A partir dela, explora-se o conflito étnico, de traços muito fortes no país.

    No período de 24 horas, acompanha-se o cotidiano de uma família cigana da aldeia imersa na onda de mortes. Mari, a mãe, trabalha em dois empregos para ganhar o sustento dos filhos Anna e Rói e do pai inválido. Seu marido vive no Canadá e promete tirá-los da região o quanto antes.

    A matriarca acorda antes de o sol nascer para sua jornada. Depois dela, a câmera segue os passos de Anna e, ao mostrar os olhares maliciosos em torno da pré-adolescente, começa a criar um clima de violência e vulnerabilidade. Todos da família andam rápido; a visibilidade é perigosa.

    Apesar de o ponto de vista ser das possíveis vítimas, Apenas o Vento acerta em cheio ao não tornar esses personagens mártires. Cenas tão impactantes quanto sutis revelam essa relação de contrastes.

    Por exemplo, Anna vê a tentativa de estupro de uma colega no vestiário e não se move. Mari sofre a perseguição do chefe e de outra funcionária no trabalho e reage de forma rude, na mesma medida da violência sofrida. Rói assalta as casas dos ciganos mortos. Ação e reação ao clima hostil partem de todos os lados, num círculo vicioso criado pela intolerância ao outro.

    Os personagens são construídos aos poucos por meio de pequenas atitudes, com todas as contradições e bondade que parecem residir até no mais humilhado dos seres. O afeto dos irmãos por outra criança do vilarejo decadente exibe essa doçura escondida nos escombros de uma realidade perversa.

    Os atores, ciganos reais escolhidos em testes para a produção, dão ao filme a naturalidade necessária. Mas, para não criar estereótipos, nada de músicas folclóricas. Esse é outro ponto que chama a atenção. A trilha sonora inexiste. Apenas barulhos esparsos são ouvidos.

    Nesse clima focado em aspetos mais orgânicos, a fotografia abusa da iluminação natural. Também é possível perceber a textura da pele dos personagens acompanhados de perto pela câmera, detalhe de beleza marcante.

    Nos assaltos de Rói, visitas de Anna aos vizinhos e relações de trabalho da matriarca, conhecemos o ambiente no qual eles foram criados e ajudam a construir dentro de uma relação recíproca do singular com o todo.

    O ódio da intolerância mostra os dentes em uma das melhores passagens, quando dois policiais dialogam sobre as mortes no vilarejo. Um deles usa meias palavras até o outro concluir sua verdadeira posição - favorável à higienização étnica. No momento dessa descoberta, a iluminação baixa e avermelhada dá o tom macabro ao sorriso irônico do chefe de polícia.

    Toda essa construção delicada da narrativa hostil leva ao desfecho brutal em um momento inesperado. Causa uma surpresa desagradável na trama, mas ótima para o cinema. Benedek teve a arte da paciência para contar sua história. E, graças a ela, concebeu uma grande obra.

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