APOCALYPTO

APOCALYPTO

(Apocalypto)

2006 , 139 MIN.

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mel Gibson

    Equipe técnica

    Roteiro: Farhad Safinia, Mel Gibson

    Produção: Bruce Davey, Mel Gibson

    Fotografia: Dean Semler

    Trilha Sonora: James Horner

    Estúdio: Icon Entertainment International

    Elenco

    Carlos Emilio Baez, Dalia Hernandez, Iazua Larios, Israel Contreras, Israel Rios, Jonathan Brewer, María Isabel Díaz, Morris Birdyellowhead, Ramirez Amilcar, Rudy Youngblood

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Rodado em locações como Catemaco (floresta tropical) e Veracruz, ambos no México, Apocalypto conta com um elenco formado por indígenas das Américas e é falado no idioma maia. É um projeto bastante ousado abraçado por Mel Gibson, com prestígio (e dinheiro) de sobra depois do fenômeno A Paixão de Cristo. Ainda pisando em terrenos delicados, como religião e cultura (só que de povos antigos, quase que extintos, o que deve criar menos polêmica do que sua produção anterior), o cineasta mostra mais um bem-feito exercício de direção neste novo filme, provando saber criar primorosas cenas de ação.

    O contexto histórico é diluído durante o filme, mas sabe-se que a produção explora um drama acontecido durante o declínio do Império Maia, pouco antes da chegada de colonizadores europeus na América Central, durante o século 15. Apocalypto acompanha a jornada de Jaguar Paw (Rudy Youngblood), que vive com sua tribo numa floresta tropical. Quando ela é invadida e dominada por violento grupo, o espectador é levado a conhecer a rica cultura - especialmente visual - do povo maia. Esse novo grupo para o qual a tribo é levada é visivelmente mais desenvolvido por conta dos ornamentos corporais, armas e arquitetura. Há também um novo nível de crenças: em nome de deuses, aclamados para que suas terras sejam mais férteis, os líderes do grupo oferecem os corpos dos dominados para seus deuses. Sempre escapando por pouco da morte (por isso, é chamado de "quase" por um dos que dominam seu povo), Jaguar Paw tenta voltar à tribo e juntar-se à esposa grávida e o filho pequeno.

    Apocalypto aborda uma época histórica pouco explorada pelo cinema moderno. Afinal, trata-se de um assunto perigoso. O que se sabe da cultura existente na América Central antes da chegada dos europeus é baseado em livros e no que é encontrado em escombros, objetos e construções locais. Por isso, esteticamente, não é algo impossível de ser reproduzido pelo cinema. No entanto, o desconhecimento em relação à sociedade desses povos pode causar problemas. Aqui, Gibson não consegue escapar do maniqueísmo que borra o cinema norte-americano. Essa necessidade de dois lados, o bom e o mal, faz com que ambos soem falsos. A carnificina patrocinada pelo povo dominador é exageradamente cruel. Inclusive, a violência está em Apocalypto desde a primeira cena, que mostra o protagonista e seu bando caçando uma grande anta, até o final.

    Se a tribo de Jaguar Paw mata pela sobrevivência, os astecas matam em nome de sua religião. Neste aspecto, Apocalypto dialoga com A Paixão de Cristo. A intolerância cultural é motor para que a violência mais pesada no filme aconteça, dando forma ao maniqueísmo que Gibson (também autor do roteiro, ao lado do estreante Farhad Safinia) parece não querer abandonar. A crença religiosa faz com que castas diferentes de um mesmo povo se destruam. Seria uma resposta às críticas que Gibson recebeu por conta de seu filme anterior? Se for assim, qual será a próxima do diretor? Já que, desta vez, são os mexicanos quem estão vendo Apocalypto de uma forma bastante negativa.

    Se o retrato da ideologia maia não é bem-feito, não se pode negar que, graças à primorosa direção de arte, Apocalypto consegue desenhar um excelente panorama dessa civilização no sentido estético, que, dizimada por colonizadores europeus, ainda intriga estudiosos por conta do desenvolvimento de seus estudos e descobertas em todas as áreas científicas, da arquitetura à astrologia. A complexidade da sociedade maia, no entanto, acabou fazendo com que muitos de seus povos fossem caçados e capturados como animais. Pelo menos é a esta conclusão que o espectador pode chegar ao assistir a este longa-metragem.

    Esses problemas esvaziam o contexto de Apocalypto. A violência é excessiva e extrema sem muito sentido, fazendo com que o filme seja ideal para os que têm estômago mais forte. Mesmo assim, pelo rigor estético e a excelência na direção - especialmente nas cenas de ação -, é produção bastante interessante, mas não serve para que o espectador aprenda mais sobre essa civilização. Melhor deixar este papel para os livros de história.

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