ARCA RUSSA

ARCA RUSSA

(Russkij Kovcheg)

2002 , 96 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Aleksandr Sokurov

    Equipe técnica

    Roteiro: Aleksandr Sokurov, Anatoli Nikiforov, Boris Khaimsky, Svetlana Proskurina

    Produção: Andrei Deryabin, Jens Meurer, Karsten Stöter

    Fotografia: Tilman Büttner

    Trilha Sonora: Sergei Yevtushenko

    Elenco

    Aleksandr Chaban, Aleksei Barabash, Anna Aleksakhina, David Giorgobiani, Kirill Dateshidze, Konstantin Anisimov, Leonid Mozgovoy, Maksim Sergeyev, Mariya Kuznetsova, Sergei Dontsov, Valentin Bukin, Vladimir Baranov

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Escuro total. Câmera subjetiva, narração em off. Nos primeiros segundos de Arca Russa, o público fica sabendo que seu personagem principal (e narrador) é um homem que sofreu um acidente e, como num passe de mágica, foi transportado para o meio de uma festa de gala do século 19. Este homem não será mostrado. Apenas sua voz será ouvida. Através de seus olhos, a platéia fará um passeio de 97 minutos por mais de 300 anos da história da Rússia. Até aí tudo bem, mesmo porque o diretor do filme é o festejado e enigmático Aleksandr Sokúrov, o mesmo de Moloch.

    Porém, o que mais chama a atenção em Arca Russa é o fato dele ter sido filmado em um plano-sequência único, sem cortes, que dura 97 minutos. O fato é inédito na história do cinema. Até o cultuado Festim Diabólico, de Hitchcock, tinha "cortes falsos" invisíveis aos olhos do público. O filme de Sokúrov foi rodado num único fôlego, uma única tomada de câmera que atravessa 35 salas do belíssimo Museu Hermitage, em São Petersburgo, transformando a tela de cinema em um quadro vivo por onde desfilam três séculos de história. Com direito a Pedro, o Grande; Catarina, a Grande; Catarina II; Nicolau e Alexandra; a última ceia dos Romanov e o grande baile que encerra o filme. E a história imperial da Rússia czarista.

    Engana-se, porém, quem imagina que Arca Russa, por ter sido rodado em apenas 97 minutos, foi fácil de ser realizado. Muito pelo contrário. A idéia surgiu há 15 anos, a preparação levou sete meses e os ensaios, incluindo cerca de três mil figurantes, foram milimétricos e exaustivos. Tudo cuidadosamente preparado para um único dia de filmagem, mais precisamente 23 de dezembro de 2001, dia em que o Hermitage abriu uma exceção em sua programação e ficou fechado à disposição da produção. A tomada saiu perfeita em sua terceira tentativa e os resultados são compensadores: o filme é um delírio visual que merece ser conferido por todos que curtem novas formas de se fazer cinema. Com cortes ou não, já que Arca Russa tem muito mais para ser percebido que simplesmente seu apuro técnico.

    19 de feverereiro de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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