ÁRIDO MOVIE

ÁRIDO MOVIE

(Árido Movie)

2005 , 118 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lírio Ferreira

    Equipe técnica

    Roteiro: Eduardo Nunes, Hilton Lacerda, Lírio Ferreira, Sérgio Oliveira

    Produção: Lírio Ferreira, Murilo Salles

    Fotografia: Murilo Salles

    Elenco

    Aramis Trindade, Giulia Gam, Guilherme Weber, Gustavo Falcão, Matheus Nachtergaele, Selton Mello

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Demorou, mas chegou. Dez anos após o sucesso de Baile Perfumado, um de seus diretores, Lírio Ferreira (o outro é Paulo Caldas) lança seu novo longa-metragem. É o ótimo Árido Movie, um road movie nordestino que discute, com profundidade e maturidade cinematográfica, alguns dos temas mais urgentes do cenário brasileiro.

    A trama começa mostrando dois universos paralelos e diferentes. O primeiro, do meteorologista Jonas (Guilherme Weber), é urbano e tecnológico. Ele trabalha em São Paulo apresentando a previsão do tempo pela televisão. O segundo, rude e rural, mostra um assassinato à queima-roupa em plena recepção de um hotel de quinta categoria no interior nordestino. Metáforas da tão conhecida desigualdade social brasileira? Nem tanto. Logo o espectador fica sabendo que o bêbado assassinado no sertão é pai do sofisticado apresentador da TV paulistana. Embora opostas, as realidades das duas situações são profundamente interligadas. Uma nasce da outra.

    Ao saber da morte do pai, Jonas vai ao interior de Pernambuco para não ir ao enterro. Isso mesmo: ele viaja, mas não quer chegar a tempo para o funeral, embora sua mãe não hesite em deixar o corpo do marido apodrecendo a céu aberto enquanto o filho não vem. A situação é insuportável. Ou melhor, as situações são insuportáveis. Todas elas, a escolher: o corpo em putrefação, a seca nordestina, a corrupção pela água, a manipulação política... São várias as viagens propostas por Lírio. À margem de todas elas, um grupo de jovens viaja sem saber exatamente para onde ir, nem por que chegar. É toda uma geração confusa simbolizada num velho conversível. No quebra-cabeças proposto por Lírio, há espaço para todos.

    Destaque ainda para a fotografia de Murilo Salles (diretor de Seja o Que Deus Quiser e Como Nascem os Anjos), que apresenta uma luz nordestina dura, de grãos estourados, enfim... Árida. Como árido é o Brasil e árido é o movie de Lírio Ferreira. Que não se passem mais dez anos para que ele faça um novo filme.

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