AS AVENTURAS DE MOLIÈRE

AS AVENTURAS DE MOLIÈRE

(Molière)

2007 , 127 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 18/07/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Laurent Tirard

    Equipe técnica

    Roteiro: Grégoire Vigneron, Laurent Tirard

    Produção: Marc Missonnier, Olivier Delbosc

    Fotografia: Gilles Henry

    Trilha Sonora: Frédéric Talgorn

    Estúdio: Fidélité Productions

    Elenco

    Anne Suarez, Arié Elmaleh, Edouard Baer, Eric Berger, Fabrice Luchini, Fanny Valette, Gilian Petrovski, Gonzague Requillart, Laura Morante, Ludivine Sagnier, Mélanie Dos Santos, Pierre LaPlace, Romain Duris, Sophie-Charlotte Husson

  • Crítica

    18/07/2008 00h00

    Especular sem compromissos sobre o que poderia ter acontecido em determinado momento obscuro da vida deste ou daquele gênio das artes sempre foi uma grande diversão cinematográfica. Minha Amada Imortal, sobre Beethoven, ou mesmo a leitura livre que Peter Schaffer fez sobre a vida de Mozart em Amadeus são dois bons exemplos disso. Agora, chegou a hora de Jean-Baptiste Poquelot, mais conhecido como Molière.

    Como as biografias de Molière mencionam uma longa e misteriosa ausência quando ele tinha 22 dois anos, os roteiristas Laurent Tirard e Grégoire Vigneron imaginaram a seguinte (e divertida) trama: Moliére, neste período, teria sido praticamente seqüestrado por um mecenas desejoso de conquistar a sua jovem amada por meio de um texto teatral. O milionário apaixonado teria então contratado Molière como seu consultor, sem sequer desconfiar, porém, que o dramaturgo (ainda não famoso) se apaixonaria pela própria esposa do mecenas. Este episódio teria moldado todo o caminho de sucesso que o protagonista viveria em seus próximos anos. Tais fatos não têm a menor relação com a realidade, mas geraram um filme delicioso, criativo, e encantador: As Aventuras de Molière.

    Com o ritmo e a leveza das grandes comédias clássicas, o filme desenvolve toda esta fantástica trama, amparado por exuberantes interpretações de todo o elenco. Molière é vivido com picardia e sagacidade por Romain Duris, de O Albergue Espanhol; o rico mecenas Jourdain, sem medo de ser ridículo, é Fabrice Luchini, de O Insolente; fechando o triângulo amoroso, a bela Elmire, esposa de Jourdain, é Laura Montante, de Medos Privados em Lugares Públicos. Completa o elenco Ludivine Sagnier, a Garota Dividida em Dois de Claude Chabrol.

    É notável como uma obra fundamentada no mundo do teatro acaba sendo tão cinematográfica. Com diálogos afiadíssimos, o filme traz momentos de rara inspiração, como a cena em que Molière (que adota para si o codinome de Tartufo, exatamente uma de suas obras mais famosas) e Elmire fantasiam - simultaneamente - como seria o primeiro encontro amoroso entre ambos. E como a ilusão destes pensamentos fugazes rapidamente se esfacela no ar, vitimada por mal entendidos.

    Digna de nota também é a personalidade patética de Jourdain, um homem sem nenhuma habilidade artística, mas que acredita às raias do ridículo que seu interminável dinheiro possa lhe comprar prestígio, fama e títulos de nobreza. Se Jourdain fosse um personagem contemporâneo, certamente estaria na capa de Caras.

    As Aventuras de Molière foi indicado a quatro prêmios César. Acabou não ganhando nenhum, mas levou mais de um milhão de franceses às bilheterias dos cinemas e já pode ser considerado como uma das melhores estréias do circuito brasileiro deste ano.

    Trata-se apenas do segundo longa do diretor Laurent Tirard, um ex-jornalista que durante sete anos entrevistou diretores como Woody Allen, David Lynch, Martin Scorsese, Jean-Luc Godard e os irmãos Cohen para a série Lições de Cinema, publicada inclusive no Brasil. Certamente, Tirard soube ele próprio aprender bem estas lições.

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