AS CANÇÕES

AS CANÇÕES

(As Canções)

2011 , 90 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 09/12/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eduardo Coutinho

    Equipe técnica

    Produção: João Moreira Salles, Maurício Andrade Ramos

    Fotografia: Jacques Cheuiche

    Trilha Sonora: Valéria Ferro

    Estúdio: Video Filmes

    Distribuidora: Espaço Filmes

  • Crítica

    05/12/2011 15h00

    Os filmes de Eduardo Coutinho têm uma vigorosa capacidade de ir fundo nas nossas dores e amores. Jogo de Cena estabeleceu um outro paradigma na representação documental. Dali em diante, os filmes de Coutinho só precisam desfrutar do caminho que ele mesmo construiu. As Canções é mais um que consegue ir fundo no que somos. A Música Popular Brasileira (MPB) é a chave de acesso às nossas vidas.

    Na mesma estrutura do filme de 2007, este documentário colhe pessoas que constroem a narrativa de suas vidas no palco de um teatro. Cortinas e cadeira pretas. Gestos discretos da câmera: um zoom aqui, um enquadramento mais aberto ali. Gente de verdade que conta o que determinada música representa em suas vidas.

    Para quem encontra na MPB, a mais rica entre as músicas populares do mundo, a narrativa das próprias vidas, As Canções é encantador. Para quem se interesse pelas raízes dos sentimentos humanos (os nobres e os nem tanto), o documentário é sedutor.

    Dessa vez, Coutinho, que já confabulou sobre o processo de realização também com Moscou e Um Dia na Vida, dá à música diversas dimensões: narrativa de uma vida, instrumento que dá sentido e norte, remédio que cura perdas e feridas, celebração de estar vivo e amando, alternativa para encontrar as palavras que racionalmente nos faltam. Nenhuma outra música popular do mundo como a brasileira dá conta, com qualidade, de tudo isso.

    No Festival do Rio, quando As Canções foi escolhido Melhor Documentário pelo júri e público, o diretor argumentou. “Não penso no público, penso em mim. Meu filme é uma homenagem a todo tipo de música e a ilustres desconhecidos, os tidos de mau gosto”. Mais um exemplo de que, quando falamos do que sentimos, falamos sobre nós mesmos de maneira generosa – não confundir com verborragia egoica –, é possível falar de e para muitos outros.

    A música é isso, assim como o cinema. As Canções está à altura dela.


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