AS CONFISSÕES DE SCHMIDT

AS CONFISSÕES DE SCHMIDT

(About Schmidt)

2002 , 125 MIN.

anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alexander Payne

    Equipe técnica

    Roteiro: Alexander Payne, Jim Taylor

    Produção: Harry Gittes, Michael Besman

    Fotografia: James Glennon

    Trilha Sonora: Rolfe Kent

    Estúdio: New Line Cinema

    Elenco

    Beth Heimann, Cheryl Hamada, Connie Ray, Dermot Mulroney, Emily McNaughton, Harry Groener, Hope Davis, Howard Hesseman, Jack Nicholson, James J. Crawley, James M. Connor, Jill Anderson, Judith Kathryn Hart, June Squibb, Kathy Bates, Len Cariou, Lester Kills Crow, Linda Wilmot, Marilyn Tipp, Mark Venhuizen, Mary Beth Nelson, Matt Winston, McKenna Gibson, Melissa Hanna, Phil Reeves, Robert Kem, Steve Heller, Thomas Michael Belford, Tung Ha, Vaughan Wenzel

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    As Confissões de Schmidt marca mais um show de interpretação de Jack Nicholson - como se isso fosse alguma novidade. Existem atores que já superaram de longe o desafio de ganhar ou não um Oscar, de ser ou não indicado a um Globo de Ouro. Nicholson é um deles. Um eterno "hors-concours" na arte de interpretar. Ele é o corpo, a alma e o fio narrativo dessa emocionante viagem agridoce de um homem que chega a um ponto crucial em sua vida.

    Warren Schmidt (Nicholson) é um agente de seguros sessentão que acaba de se aposentar. E seu futuro não parece nada animador. Entre as opções de Warren estão ver televisão o dia inteiro, fazer palavras cruzadas no jornal, olhar para o teto e divagar sobre a vida que levou. Porém, um trágico acontecimento faz com que ele repense totalmente sobre os anos que lhe restam. Agora, ele está disposto a, de qualquer maneira, "fazer a diferença".

    Mais do que a trama em si, o que arrebata em As Confissões de Schmidt é o inebriante estilo de direção de Alexander Payne, o mesmo de Eleição. Tudo no filme é revestido de uma eterna aura de indignação passiva. São olhares perdidos, gestos contidos, emoções inconfessáveis que pairam no ar durante as mais de duas horas de projeção quase hipnótica. Não acontece a "explosão" típica dos roteiros convencionais, nem o "turning point" milagroso que muda tudo e estabelece a chamada ordem normal das coisas. Há momentos em que o filme carrega o estilo de um sonho estranho, do tipo "o que eu estou mesmo fazendo aqui neste planeta?". E fica difícil imaginar alguém mais encantadoramente blasé que Jack Nicholson para encarnar um personagem tão rico. Warren Schmidt é ao mesmo tempo indignado e conformado, agressivo e contido, sempre caminhando numa finíssima corda bamba que separa o mundo como ele é do mundo como gostaríamos que ele fosse.

    O tema teria tudo para tornar o filme piegas, o que não ocorre em momento algum. Tudo é dirigido com extrema sensibilidade, conferindo até um clima de dignidade numa cena de nu de Kathy Bates. As Confissões de Schmidt é uma grande viagem, tanto para o personagem título como para o espectador que se dispuser a embarcar de coração aberto neste belíssimo filme.

    19 de março de 2003.

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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