AS HIPER MULHERES

AS HIPER MULHERES

(As Hiper Mulheres)

2011 , 80 MIN.

16 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 07/06/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro

    Equipe técnica

    Roteiro: Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro

    Produção: Carlos Fausto, Vincent Carelli

    Fotografia: Takumã Kuikuro

    Trilha Sonora: Mulheres Kuikuro

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    04/06/2013 10h00

    Este documentário é fruto de trabalho de pesquisa de quase uma década sobre o Jamurikumalu, maior ritual feminino do Alto Xingu (MT). É dirigido pelo antropólogo e cineasta Carlos Fausto, pelo documentarista Leonardo Sette e pelo curta-metragista índigena Takumã Kuikuro. Além de Taku, dezenas de outros índios trabalharam na produção operando câmeras e encenado os trâmites que envolvem a realização do rito musical feminino. O resultado é um filme que chama a atenção pela completa disposição de seus personagens em se entregar à proposta cinematográfica.

    As Hiper Mulheres mostra a cerimônia realizada pelas índias quando os homens da tribo saem para pescar. Segundo a lenda eles podem se tornar monstros selvagens, por isso os cânticos - muitos deles eróticos ou em tom de galhofa – são entoados por elas para que os homens voltem à tribo como a deixaram. O filme começa com o pedido de um tio a seu sobrinho para que realize o ritual. O velho índio justifica a necessidade do Jamurikumalu pela iminente morte da esposa idosa, uma das poucas mulheres do grupo que sabe os cantos necessários à cerimônia. A história ganha dramaticidade imprevista pelo fato da outra índia que conhece as canções encontrar-se gravemente doente.

    O diferencial desta produção, que chega a causar certo estranhamento, é a total ausência de contextualização. Nenhuma informação é apresentada ao espectador. Nem ao menos se tem a localização geográfica da tribo. Não existe narrativa em off e o longa se sustenta apenas em diálogos, muitos deles encenados pelos índios. Graças a isso tem-se a sensação de que o filme demora a engrenar, pois adentramos àquela realidade aos poucos, tateando no escuro da sala de cinema.

    Acompanhando os preparativos e ensaios para o evento vemos a história ganhar força pela naturalidade com que os indígenas expõem seu cotidiano. A representação das primeiras cenas dá lugar à naturalização das relações, com mulheres falando de homens, sexo, orgasmos, pênis e brincando com pais, maridos, irmãos e primos. O bom humor e espontaneidade com que tratam temas ainda tabus entre os brancos chama a atenção. Em dado momento, por exemplo, um grupo de índias revela sem maiores pudores não gostar de pênis pequeno.

    Filmes que tenham índios como personagens costumam, invariavelmente, ficar engessados em modelos bem esquemáticos. Em geral faz-se uma glorificação do indígena relacionando-os à natureza e harmonia. As Hiper Mulheres foge do clichê fazendo mergulho raro na intimidade de um povo. Este mostra-se despido de algo mais que roupas: estão destituídos do olhar de louvação culposa do branco.

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