AS IDADES DO AMOR

AS IDADES DO AMOR

(Manuale d'am3re)

2011 , 125 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 27/04/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Giovanni Veronesi

    Equipe técnica

    Roteiro: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti

    Produção: Aurelio De Laurentiis, Luigi De Laurentiis Jr.

    Fotografia: Giovanni Canevari

    Estúdio: Filmauro

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Carlo Verdone, Daniele Pecci, Donatella Finocchiaro, Guido Genoveni, Laura Chiatti, Marina Rocco, Michele Placido, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Robert De Niro, Valeria Solarino, Vincenzo Alfieti, Vittorio Emanuele Propizio

  • Crítica

    23/04/2012 19h40

    Lançado aqui como o título As Idades do Amor, o novo longa do diretor italiano Giovanni Veronesi na verdade é a segunda sequência do filme Manual do Amor, lançado no Brasil em 2005. O original não tinha nada de excepcional, era bem óbvio até, mas tolerável para um consumo rápido e despreocupado. Não tive a oportunidade de ver a segunda parte, que não foi lançada no país, mas posso assegurar que esta terceira é um autêntico filme-engodo.

    O que defino como filme-engodo são aquelas produções que, à primeira vista, parecem ter subsídios para, ao menos, promover alguns bons minutos de entretenimento na sala escura. Em geral têm bom elenco, produção caprichada, um título chamativo e um mote interessante. Estes são os chamarizes para um público que, na maioria das vezes, sai da sessão com aquela cara de “era só isso?”.

    No caso de As Idades do Amor, nem é preciso esperar o subir dos créditos para ter certeza que entrou numa roubada. Com um esboço nas mãos no lugar do roteiro, Veronesi leva ao público três histórias que versam sobre o amor nas quais assomam a falta de traquejo para conduzir as situações, o mal desenvolvimento de personagens e um desequilíbrio crasso entre comédia e romance. Ao final temos um filme movido a esquetes, repleto de situações que funcionam isoladamente, mas que no conjunto redundam num filme medíocre.

    A história é narrada por uma versão moderna de Cupido, travestido de taxista e dono de um arco de competição profissional (?) que nunca usa. Ainda me pergunto o porquê da cena de abertura com a câmera se demorando sobre os detalhes do tal arco. Melhor não querer entender. Esta personificação infeliz do deus do amor por si só já é indício que algo não vai bem, mas há sempre aquele fio de esperança de que as coisas possam melhorar. É este cupido "mala" e seu monólogo piegas que nos apresentam as três histórias do filme, sobre indivíduos sem nada em comum em sentido temporal e atemporal, mas que, de alguma forma, apresentam uma conexão: o amor, claro.

    A primeira história é a mais constrangedora de todas. Conhecemos Roberto (Riccardo Scamarcio), um jovem que alimenta o sonho de ser um advogado de sucesso e casar com sua bela noiva. Quando os sócios da empresa onde trabalha pedem a ele que vá a uma cidade na região de Toscana para uma missão especial, sente que ambos os sonhos estão muito próximos de ocorrer. No entanto, a viagem aparentemente despretensiosa promove uma guinada em sua vida. Lá ele conhece Micol, uma linda mulher que lhe desperta o fogo da paixão adolescente.

    Até aí, tudo bem. As Idades do Amor é um filme e precede de conflito. O problema é modo tacanho como tudo se desenrola. A gostosa Micol e todos os outros personagens que Roberto encontra pelo caminho parecem irreais, como inverossímeis são as situações nas quais se envolvem. O diretor e roteirista peca na construção da base primitiva de um filme, que é fazer o espectador entrar na trama, acreditar naquela realidade criada, mesmo que está seja totalmente improvável.

    Encerrada de modo um tanto óbvio a primeira parte, somos conduzidos ao mundo de Fábio (Carlo Verdone), famoso jornalista que cruza com a sensual psiquiatra Eliana (Donatella Finocchiaro) numa festa. Ambos têm um breve caso que não demora muito para se transformar num inferno. Trata-se da melhor parte do filme, muito em virtude do talento para o humor de Verdone e o bom mise-en-scène" entre ele a atriz Donatella. Aqui o filme se assume como uma comédia rasgada e são as gags que funcionam e não o enredo em si. Tem-se uma sensação de alívio, mas isso se deve mais à primeira parte do filme que é lamentável.

    Para fechar com “chave de ouro” somos apresentados a Adrian, interpretado por Robert DeNiro (o chamariz-mor do filme, e só), um professor de história norte-americano que foi morar em Roma pouco depois de seu divórcio. Sem nenhum interesse em mulheres, sua paixão ressurge quando conhece Viola (Monica Bellucci – assim também é fácil), filha de seu melhor amigo. Nem vou me ater em como o romance dos dois se desenrola, mas mesmo DeNiro e a estonteante Bellucci nada podem fazer para salvar um filme claudicante desde o início.

    Claro que seria uma tolice esperar de uma comédia romântica sobre o amor e suas várias facetas nos diferentes tempos da vida um viés mais sério. As Idades do Amor, mesmo que de forma capenga, se assume como comédia. O problema do filme está em sua condução infeliz, que acaba por deixar o espectador ainda mais irritado com suas verdades prontas sobre amor, paixão, infidelidade, Seu moralismo reacionário prega, no fim das contas, que o amor é bom, a paixão é uma doença e o casamento é a salvação e símbolo de proteção material e sentimental. Ah, tudo isso desde que a mulher cumpra seu papel de esposa fiel e mãe dedicada.


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