AS LEIS DE FAMÍLIA

AS LEIS DE FAMÍLIA

(Derecho de familia)

2006 , 102 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 03/08/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Burman

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Burman

    Produção: Diego Dubcovsky, José María Morales, Marc Sillam

    Fotografia: Ramiro Civita

    Trilha Sonora: César Lerner

    Elenco

    Adriana Aizemberg, Arturo Goetz, Daniel Hendler, Dmitry Rodnoy, Eloy Burman, Jean Pierre Reguerraz, Julieta Díaz

  • Crítica

    03/08/2007 00h00

    Numa cena do belo filme argentino As Leis de Família, um garotinho de dois anos está vendo um desenho animado na televisão. Seu pai se aproxima e faz uma pergunta sobre o tal desenho: "Quem é o bem e quem é o mal?". O menino parece não entender. O pai reforça: "Sim, é preciso que exista sempre um bem e um mal". O momento é emblemático, já que o personagem dita uma regra simples da dramaturgia que o próprio longa faz questão de desconsiderar. Em As Leis da Família, não existe bem nem mal; trata-se "apenas" de um belíssimo retrato cinematográfico que investiga com poesia e ternura o relacionamento entre três gerações masculinas de uma família de advogados. Percebe-se aí o motivo pelo qual o "apenas" está entre aspas.

    O filme é todo contado sob o ponto de vista de Ariel Perelman (Daniel Hendler, que já havia trabalhado com o diretor em O Abraço Partido), um jovem defensor público e professor de Direito que mantém um relacionamento frio e distante com seu pai, o respeitado advogado Bernardo Perelman (Arturo Goetz, de A Menina Santa). Apesar de ambos serem advogados, pai e filho não trabalham juntos e, aos poucos, percebe-se que não fazem quase nada lado a lado. Provavelmente nunca fizeram; nunca sequer se perceberam, a ponto de, durante um sorvete informal, um perguntar para o outro: "Você sempre foi canhoto?".

    O que acontece no filme importa pouco, vale mesmo acompanhar como acontece. Ariel "elege" sua esposa entre suas alunas, casa com ela, tem um filho e, aos poucos, parece tentar retomar o elo perdido com seu pai. Tudo com uma impressionante frieza. Os protagonistas mal se tocam. Pouco se olham. Ariel padece do mal de não encarar a vida: usa de subterfúgios para se declarar à mulher amada; não se declara ao pai, a quem chama burocraticamente de "Perelman"; faz questão de deixar claro que paga o colégio do filho para que ele próprio não tenha a obrigação de participar de nada. Ariel tangencia a vida.

    Seu pai, por outro lado, conhece detalhadamente a vida de todos os seus clientes. Ainda que, segundo Ariel, exista em sua mente um lugar destinado a apagar todos os problemas, "uma espécie de 'lousa mágica'", diz. Agora, pai e responsável por um filho pequeno, Ariel está prestes a repetir o comportamento que aprendeu com o seu próprio pai, ratificando um círculo vicioso entre tristes gerações de emoções represadas.

    Com a sensibilidade à flor da pele que há tempos vem caracterizando o cinema argentino, o diretor Daniel Burman cria um terno e emotivo painel de relações avô/ pai/ filho, destilando uma simplicidade narrativa típica das grandes obras que, felizmente, ainda privilegiam o conteúdo em detrimento da forma.

    As Leis da Família recebeu o prêmio Clarín de Melhor Roteiro e Atriz Coadjuvante (Adriana Aizemberg), além das premiações de público de Melhor Filme Ibero-Americano no 21º Festival de Cinema de Mar del Plata, dividido com o brasileiro Cinema, Aspirinas e Urubus.

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