AS MULHERES DO 6° ANDAR

AS MULHERES DO 6° ANDAR

(Les femmes du 6eme etage)

2010 , 104 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 10/02/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Philippe Le Guay

    Equipe técnica

    Roteiro: Jérôme Tonnerre, Philippe Le Guay

    Produção: Etienne Comar, Philippe Rousselet

    Fotografia: Jean-Claude Larrieu

    Trilha Sonora: Jorge Arriagada

    Estúdio: Banque Postale Image 4, Canal+, CinéCinéma, Cofinova 7, France 2 Cinéma, France Télévision, SND, Uni Étoile 8, Vendôme Production

    Distribuidora: Vinny Filmes

    Elenco

    Alicia Robledo Fiestas, Annie Mercier, Audrey Fleurot, Berta Ojea, Camille Gigot, Carmen Maura, Charlotte Burnett, Christine Vézinet, Concha Galán, Fabrice Luchini, Ivan Martin Salan, Jean-Charles Deval, Jean-Claude Jay, Joan Massotkleiner, José Etchelus, Laurent Claret, Lola Dueñas, Maria De Goyeneche, Marie-Armelle Deguy, Michèle Gleizer, Miriam Velazquez Tris, Muriel Solvay, Natalia Verbeke, Nuria Solé, Olivia Algazi, Patricia Morejon, Patrick Bonnel, Philippe du Janerand, Raquel Teliet, Sandrine Kiberlain, Sophie Nicollas, Sophie Piccioto, Thierry Nenez, Victoria Sáez, Vincent Nemeth

  • Crítica

    06/02/2012 20h00

    Todos gostamos de um prato sofisticado, daqueles que surpreendem nosso paladar com ingredientes - de tal forma combinados - que mexem com nossos sentidos e nos deixam extasiados. Por outro lado, o tradicional feijão com arroz , se preparado com capricho, nunca perde seu encanto. Assim é o longa As Mulheres do 6º Andar: trivial, básico, mas tão bem realizado que o transforma numa experiência gratificante. Um filme sem pompa e circunstância, mas que ganha ares de iguaria nas mãos de Philippe Le Guay, que dirige e divide a autoria do roteiro com Jérôme Tonnerre.

    Não são poucos os filmes com temática “burguesia versus proletariado”, principalmente no cinema francês, que costuma abordar o assunto de forma pungente. Em As Mulheres do 6º Andar, no entanto, o viés político é deixado em segundo plano. A intenção de Le Guay é brindar o público com uma comédia de costumes leve e descompromissada, no que é brilhantemente bem-sucedido.

    Mesmo com argumento previsível e resvalando em alguns clichês, o filme é construído com maestria e sensibilidade e promove equilíbrio perfeito entre momentos sérios e cômicos. Uma brincadeira divertida que enternece com uma história simples, clara, e sem complicações assessórias supérfluas.

    O longa é ambientado na Paris do início da década de 1960. Jean-Louis (Fabrice Luchini, de Potiche: Esposa Troféu) e Suzanne Joubert (Sandrine Kiberlain, de Mademoiselle Chambon) são um casal conservador que vê seu mundo sofrer uma reviravolta com a chegada da jovem empregada espanhola chamada Maria (Natalie Verbeke, de O Filho da Noiva). Ela mora no sexto andar do edifício onde vive o patrão com outras domésticas vindas da Espanha. Aqui cabe uma explicação: Na época, em Paris, nos prédios antigos havia as chamadas chambres de bonnes, os quartos das empregadas, em geral localizados no 6º andar. No início da década de 60 era grande o número de domésticas espanholas na França, mulheres fugidas da ditadura de Franco.

    Voluntariosa, Maria abre os olhos Jean-Louis para a situação das empregadas de seu prédio, que vivem em pequenos quartos sem água corrente, chuveiro e com toalete coletivo em péssimas condições. Enquanto tenta ajudar as serviçais espanholas, motivado pela simpatia por Maria, Jean-Louis começa a se aproximar dessas mulheres, que, apesar dos dissabores do cotidiano que levam, são alegres e de bem com a vida. Tocado por elas, começa a descobrir um novo universo, vivendo com emoção os prazeres mais simples, em um ambiente completamente diferente aos modos austeros em que estava acostumado.

    O filme tem elenco afiado, destacado por Fabrice Luchini, Lola Dueñas (de Volver) e Carmen Maura (Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos), mas o destaque vai para Natalia Verbeke. A atriz argentina está perfeita no papel, acrescentando à sua beleza, entre ingênua e sedutora, a carga dramática necessária para transformar Maria em alguém real e não um estereótipo.

    As Mulheres dos 6º Andar é uma comédia simpática, pontuada de romantismo e leve ironia social, que trata do confronto de classes de forma descontraída. Recomendo com entusiasmo esse longa francês que o fará sair da sala com o espírito enlevado, afinal, todos nós precisamos de um bem servido prato de feijão com arroz de vez em quando.


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