AS NEVES DO KILIMANJARO (2011)

AS NEVES DO KILIMANJARO (2011)

(Les Neiges Du Kilimandjaro)

2011 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/04/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Guédiguian

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Louis Milesi, Robert Guédiguian

    Produção: Malek Hamzaoui

    Fotografia: Pierre Milon

    Estúdio: Agat Films & Cie, Ex Nihilo, France 3 Cinéma, Les Films de la Belle de Mai

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Adrien Jolivet, Anaïs Demoustier, Anthony Decadi, Ariane Ascaride, Emilie Piponnier, Frédérique Bonnal, Gérard Meylan, Grégoire Leprince-Ringuet, Jean-Baptiste Fonck, Jean-Pierre Darroussin, Julie-Marie Parmentier, Karole Rocher, Marilye Canto, Miguel Ferreira, Pierre Niney, Raphaël Hidrot, Robinson Stevenin, SimonFrenay, Yann Loubatière

  • Crítica

    04/04/2012 16h00

    Não se trata de uma refilmagem do filme de 1952 com Gregory Peck e Susan Hayward. As Neves do Kilimanjaro de Robert Guédiguian (O Último Mitterrand) versa sobre a capacidade do ser humano de perdoar e se sacrificar pelo próximo, mesmo quando é mais fácil, ou socialmente aceitável, apelar para a vingança ou indiferença. Um típico drama social francês com viés político que se perde em sua retórica excessivamente adocicada e alguns metros acima do chão e da realidade.

    Adaptado do poema Pobres, de Victor Hugo, As Neves do Kilimanjaro tem como protagonista um homem de meia-idade chamado Michel (Jean-Pierre Darroussin), sindicalista que, devido à crise econômica, deve dispensar 20 funcionários, dentre os quais seu nome é sorteado. Boa praça, ele é casado com uma dedicada e carinhosa esposa, Marie-Claire (Ariane Ascaride), e melhor amigo de Raoul (Gérard Meylan) e sua esposa, Denise (MarilyeCanto). No aniversário de 30 anos de união, Michel e Marie-Claire ganham uma viagem dos amigos para a Tanzânia e mais um montante em dinheiro para gastar na viagem. Cientes disso, dois ladrões invadem a casa de Michel, roubam o presente e deixam traumas profundos na alma de Michel, Marie-Claire, Raoul e Denise.

    Tempos depois, o casal descobre que por trás do crime há uma história de solidão e abandono. Decidem, então, tomar uma série de atitudes que são condenadas por seus familiares e amigos. Nesse ponto, mesmo que o espectador se dispa de um olhar mais cético, é impossível não se incomodar com a maneira inverossímil como uma realidade trágica é tratada. Pior, no entanto, é ver a tentativa de transformar um ato criminoso, o roubo, numa espécie de retaliação tolerável contra a felicidade e relativo bem-estar alcançado pelo casal ao longo da vida.

    O filme de crítica social de Gueridan também peca pela falta de cuidado formal. É rico em tomadas estáticas e preguiçoso na descrição dos ambientes. Em nenhum momento temos um movimento de câmera para dar força á história. Há ainda uma trilha sonora anacrônica se encaixando mal numa trama que se pretende contemporânea.

    Os pontos altos de As Neves do Kilimanjaro são as boas atuações, com destaque para Ariane Ascaride (Marie-Jo e seus Dois Amores). A atriz tem um talento indiscutível para dar verdade a seus personagens. Ela está à vontade como uma dona de casa suburbana mergulhada nos afazeres triviais de seu dia a dia. Ariane é protagonista da melhor cena do filme, que se passa num bistrô onde recebe conselhos de um garçom sobre que bebida casa melhor com seu estado de espírito.

    Robert Guédiguian consegue dar boa dinâmica às relações familiares em seu filme; cenas de tarefas domésticas e encontros fraternais dão um leve toque de realismo à trama. A natureza política do longa, no entanto, fica devendo, e muito, à realidade.

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