AS PANTERAS

AS PANTERAS

(Charlie's Angels)

2000 , 102 MIN.

14 anos

Gênero: Aventura

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • McG

    Equipe técnica

    Roteiro: Akiva Goldsman, Ed Solomon, John August, Mitch Glazer, Robert Harling, Ryan Rowe

    Produção: Drew Barrymore, Leonard Goldberg, Nancy Juvonen

    Fotografia: Russell Carpenter

    Trilha Sonora: Ed Shearmur

    Estúdio: Columbia Pictures

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Bill Murray, Cameron Diaz, Crispin Glover, Drew Barrymore, Kelly Lynch, Lucy Liu, Sam Rockwell, Tim Curry

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    22 de setembro de 1976, uma quarta-feira. Exatamente às dez da noite, a rede norte-americana de televisão ABC colocava no ar o primeiro episódio de uma nova série policial. Nome: Charlie´s Angels. Um seriado diferente, onde os "mocinhos" heróicos tão em moda em outras produções do gênero eram substituídos por três belas gatas de forte apelo sensual. O resultado foi um grande sucesso. O público - principalmente o masculino - adorou ver Kate Jackson, Jaclyn Smiths e Farrah Fawcett combatendo o crime sem perder o charme. As três atrizes viraram referência de beleza em todo o mundo ocidental. Qualquer cabeleireiro que se prezasse deveria obrigatoriamente aprender a reproduzir em suas clientes as mechas esvoaçantes dos cabelos de Farrah.
    Foram 106 episódios até a última apresentação, em 19 de agosto de 1981. As reprises, porém, permaneceram no ar durante vários anos, nos canais de TV do mundo inteiro.

    Agora, a poucos dias do século 21, os Anjos de Charlie, ou melhor, As Panteras, como preferiu a tradução brasileira, volta a fazer sucesso. Desta vez, na tela grande do cinema. A história básica é a mesma: o tal Charlie, que nunca aparece, é um magnata que investe pesado na luta contra o crime. Através de Bosley (David Doyle no seriado, Bill Murray no filme), ele passa para as suas "panteras" as missões a serem realizadas. As garotas cumprem tudo com precisão, maestria e sensualidade. No final, é claro, tudo dá certo.

    No longa-metragem, o roteiro (que por sinal passou pelas mãos de dezenas de roteiristas, escritores ou apenas palpiteiros em geral) mostra as três agentes tentando desvendar o caso do seqüestro de um magnata da informática. E ponto final. O resto é corre-corre, explosões espetaculares, fugas, artes marciais em quantidades industriais, dois ou três mísseis teleguiados e muito, muito bom humor.

    Logo numa das primeiras cenas, passageiros de um avião assistem a T.J. Hooker - o Filme e reclamam: "Mais um longa metragem feito a partir de um velho seriado de TV". Pronto. Está dado o pontapé inicial para a sucessão de piadas, referências e autocríticas que vão prosseguir até o final da ação. Aliás, este é o principal mérito de As Panteras: em nenhum momento ele se leva a sério. E nem se importa em copiar, descaradamente, cenas de Matrix, Missão Impossível e de filmes de James Bond. Simplesmente vale tudo nesta montanha russa de US$ 92 milhões de orçamento que oferece ao público ação da primeira à última cena. A salada mista de influências de outros filmes é tão grande que até uma típica idéia de Jackie Chan é usada aqui: a de mostrar cenas que deram errado junto com os créditos finais.

    No elenco, Drew Barrymore (também produtora do filme), Lucy Liu (do seriado de TV Ally McBeal) e Cameron Diaz (que rouba a cena sempre que aparece... e ela sempre aparece) fazem a festa. Foi inclusive exigência de Drew, como co-produtora, que as heroínas desta nova versão não utilizassem armas de fogo em suas peripécias. Ponto pra ela. Infelizmente, porém, os produtores não conseguiram chegar a um acordo para contratar as panteras originais para pequenas participações. Do antigo seriado sobraram apenas o conceito básico, a música-tema de Jack Elliott e Allyn Ferguson, e a eterna voz misteriosa de Charlie, do ator John Forsythe.

    O sabor de anos 70 ficou por conta de alguns automóveis estrategicamente espalhados, da trilha sonora recheada de sucessos da época e do hilariante número de dança que Cameron Diaz protagoniza numa danceteria.

    Liberte-se de tudo o que é racional e lógico, deixe o mau humor do lado de fora e curta com gosto.


    22 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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