AS RUAS DE CASABLANCA

AS RUAS DE CASABLANCA

(Ali Zaoua)

2000 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nabil Ayouch

    Equipe técnica

    Roteiro: Nabil Ayouch, Nathalie Saugeon

    Produção: Jean Cottin

    Fotografia: Vincent Mathias

    Trilha Sonora: Krishna Levy

    Estúdio: Playtime

    Elenco

    Abdelhak Zhayra, Amal Ayouch, Hicham Moussoune, Mohamed Majd, Mounïm Kbab, Mustapha Hansali, Said Taghmaoui

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Ali é um menino de rua igual a milhões de outros espalhados pelo mundo. Seu sonho é se tornar marinheiro e viajar para uma ilha mágica, banhada por dois sóis. Um sonho bruscamente interrompido por uma pedrada na cabeça: uma briga entre gangues deixa Ali morto, e seus três amigos - Kwita, Omar e Boubker- atônitos. O problema agora passa a ser o enterro de Ali. O que fazer com o corpo? Como avisar a mãe dele? Como sobreviver nas injustas ruas de Casablanca? Problemas que parecem gigantescos demais para o pequeno grupo de meninos sem teto.

    Produzido por França, Marrocos, Bélgica e Tunísia, As Ruas de Casablanca fixa suas lentes num porto marroquino para mostrar um problema mundial: o das crianças de rua. Mesmo falado em árabe e rodado do outro lado do Atlântico, as semelhanças com o Brasil são imensas. Criança é criança em qualquer lugar do mundo. Pobreza e abandono também.

    Apesar do tema, o filme não é panfletário. Sensível e muito bem dirigido por Nabil Ayouch (cineasta francês filho de pai marroquino e mãe
    francesa), As Ruas de Casablanca é, antes de tudo, humano. Sem heróis, nem vilões, apenas sobreviventes à deriva da vida. Não busca causas, mas mostra os efeitos. E encanta ao escancarar na tela o talento dos garotos que vivem magnificamente seus papéis principais. A exemplo do que aconteceu em Pixote, de Hector Babenco, todas eles são realmente crianças de rua, sem nenhuma experiência interpretativa anterior.

    Com vários pontos em comum com o espanhol Barrio, o argentino Pizza, Birra, Faso e o uruguaio 25 Watts, As Ruas de Casablanca contrapõe as cores áridas do Marrocos a uma narrativa despojadamente terna. Com ótimos resultados. Não por acaso, o filme foi muito premiado internacionalmente, tendo levado, entre outros, o Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Montreal, o Cavalo de Bronze no Festival de Estocolmo, e os prêmios de público em Amiens e Bruxelas.

    Uma curiosidade: o garoto que interpretou o papel onde ele deveria se apaixonar por uma estudante ginasial, realmente se apaixonou pela menina. E vivia tentando seduzi-la, com seu jeito infantil. Para impressioná-la, ele saltou de cima de um pequeno muro, caiu num buraco e quebrou três dedos. As filmagens tiveram de ser interrompidas por cinco semanas.


    5 de setembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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