AS SESSÕES

AS SESSÕES

(The Sessions)

2012 , 97 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/02/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ben Lewin

    Equipe técnica

    Roteiro: Ben Lewin

    Produção: Ben Lewin, Judi Levine, Stephen Nemeth

    Fotografia: Geoffrey Simpson

    Trilha Sonora: Marco Beltrami

    Estúdio: Rhino Films, Such Much Films

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Adam Arkin, Amanda Jane Fleming, Annika Marks, B.J. Clinkscales, Blake Lindsley, Daniel Quinn, Gina-Raye Carter, Helen Hunt, J. Teddy Garces, James Martinez, Jarrod Bailey, Jason Jack Edwards, Jennifer Kumiyama, John Hawkes, Jonathan Hanrahan, Ming Lo, Moon Bloodgood, Rhea Perlman, Robin Weigert, Rusty Schwimmer, Stephane Nicoli, Tobias Forrest, W. Earl Brown, William H. Macy

  • Crítica

    15/02/2013 15h17

    Um pulmão de aço. Talvez poucos saibam como funciona essa máquina que parece ter saído da ficção científica. O paciente afetado por insuficiência respiratória grave fica com o corpo inteiro dentro dela - apenas com a cabeça de fora - para sua caixa torácica ser expandida, permitindo a entrada do ar. Esse tubo foi a "casa" do jornalista Mark O'Brien, como retrata o longa As Sessões.

    Baseado no relato de sua terapeuta Cheryl Cohen-Greene, em livro homônimo, e no texto Se Consultando com uma Substituta Sexual, de autoria do escritor, o filme mostra a trajetória de O’Brien (John Hawkes) quando decidiu perder a virgindade aos 38 anos. Afetado pela poliomielite na infância, passou 32 primaveras dentro de uma redoma até tentar viver um pouco fora dela. O diretor Ben Lewin também teve a doença, mas recuperou parte dos movimentos com o passar do tempo.

    A atuação de Hawkes é impecável, reflete a angústia contida na ausência de movimento. O ator buscou cada expressão minuciosa do estreito mundo de uma pessoa com paralisia muscular: o desespero da falta de oxigênio nas poucas horas possíveis fora do pulmão de aço, a fragilidade física, a entonação quase rouca da voz. Em alguns momentos, os olhos precisaram bancar toda a interpretação.

    Convidado a escrever uma matéria sobre a vida sexual de deficientes, Mark passa a refletir sobre sua própria condição. Mesmo com a parte muscular comprometida, mantém a sensibilidade intacta. E no intuito de testar possibilidades ocultas durante quase quatro décadas, busca a ajuda de uma terapeuta sexual.

    Com um trabalho tão delicado em vários sentidos, Cheryl (Helen Hunt) passa a vida sendo mal interpretada. Em cada sessão, ensina Mark a sentir seu corpo e perder o medo de manter uma relação sexual, chegando às vias de fato. Entretanto, não deseja o apego de seu paciente, e sim que ele tenha autoestima para construir um relacionamento posterior.

    Helen Hunt desenvolve uma ótima atuação, com muita naturalidade nas cenas de nudez, tanto que foi indicada ao Oscar 2013 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Entretanto, closes mais definidos mostram os traços de seu rosto tão modificados por cirurgias estéticas que lembram o espectador da presença da atriz e o fazem esquecer a personagem.

    A complexidade da relação entre os dois acaba ultrapassando o mero profissionalismo e deixa uma questão latente: seria possível dosar a intimidade física e mental de um contato tão próximo? Em meio ao sarcasmo divertido de Mark, suas lágrimas e limitações, acompanhamos a transformação do eterno menino com poliomielite em homem.

    Outra camada dessa trama traz à tona um aspecto quase esquecido hoje em dia – o sentimento do corpo e do sexo como algo provido de uma fonte divina. No longa, a conexão entre carne e espírito é feita pelo caricato padre Brendean (William H. Macy). Representante de algo numinoso, não somente de uma religião específica, seu espanto e aceitação dos anseios sexuais de Mark geram as cenas mais engraçadas. O sacerdote acaba se tornando um amigo acolhedor, sem levar consigo os julgamentos tementes a Deus.

    Ao relatar uma história impactante, a sétima arte nos coloca contra a parede. As Sessões faz isso com a maestria da simplicidade, tendo como base um roteiro linear e grandes atuações. A existência da vida por meio do suporte maquinal gera a reflexão em cada ser humano sobre a própria “casa”. Ao invés de banir o corpo ou negá-lo, seja em quaisquer condições, por que não tê-lo como algo divino, aproveitá-lo? Foi isso que Mark resolveu fazer. E fez.

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