ASTRO BOY

ASTRO BOY

(Astro Boy)

2009 , 94 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 22/01/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Bowers

    Equipe técnica

    Roteiro: Timothy Harris

    Produção: Maryann Garger

    Trilha Sonora: Carlos Sotolongo, Michael Miller

    Estúdio: Imagi Animation Studios, Imagi Crystal, Tezuka Production Company Ltd

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Bill Nighy, Donald Sutherland, Freddie Highmore, Nathan Lane, Nicolas Cage, no original de: Kristen Bell

  • Crítica

    11/01/2010 15h07

    Astro Boy representa um marco na cultura japonesa. Criado pelo gênio mangaká Osamu Tezuka, o menino-robô apareceu pela primeira vez nas páginas de um mangá em 1952. Mas foi em 1963 que Astro Boy ganhou status de personagem principal e estrelou uma série animada. O reconhecimento no Japão foi imediato e a nova linguagem e estética de animação combinadas são as sementes do anime, muito conhecido e apreciado atualmente. Considerado o grande responsável pela popularização das revistas em quadrinhos com a linguagem de mangá e criador desta “nova” linguagem revolucionária de animação, Osamu Tezuka é chamado de “deus do mangá” e “pai do anime”.

    Dirigido pelo norte-americano David Bowers (Por Água Abaixo), o longa-metragem Astro Boy, conta pela primeira vez a história da origem do personagem que dá nome ao filme. Fiel ao conceito estético e à história original, Astro Boy usa todos os novos recursos, inclusive o 3D, à disposição da trama. Pequenos detalhes são aperfeiçoados, mas sempre mantendo as referências de Tezuka.

    Mesmo antes do dilema do menino banido que não sabe ser um robô, a história lida com questões de certo ou errado e alerta para a consciência de viver em harmonia com o meio ambiente. Os humanos vivem em Metro City, uma ilha suspensa acima das nuvens porque a Terra ficou inabitável de tanto lixo e resíduos. Do alto da cidade dos eleitos, os robôs, que fazem todo o serviço que os homens não querem, são descartados para o grande depósito de lixo, a superfície poluída do planeta.

    Dr. Tenma (voz da versão original de Nicolas Cage) é o chefe do Ministério da Ciência. Muito sério e envolvido com seu trabalho, o cientista tem pouco tempo para o filho que sonha ser um dia como o pai. Dr. Tenma vai a um teste de uma descoberta fantástica do Dr. Elefun (Bill Nighy) com o Presidente Stone (Donald Sutherland) : sua equipe consegue separar energia positiva de negativa em duas esferas - azul e vermelha. A dualidade entre o bem e o mal é reforçada nas personalidades do ganancioso Presidente, que se interessa pela tecnologia para que o novo robô simule uma guerra contra os humanos da Terra, com o objetivo de vencer as próximas eleições, enquanto Dr. Elefun quer ser cauteloso e usar a esfera azul para manter a paz.

    A ganância pelo poder causa um grande acidente e o robô, fora de controle, ataca os cientistas e Toby, filho do Dr. Tenma, que acaba morrendo, após ter entrado no laboratório escondido. A amargura e o desespero da perda do filho transformam-se em obsessão e o Dr. Tenma trabalha incansavelmente. Seus conhecimentos de robótica e a nova tecnologia se convertem num clone perfeito do filho. Sem saber que é meio robô, possui as lembranças de Toby. Mas, confuso e perdido, Astro não entende por que o pai o trata diferente. A rejeição o faz, então, a abandonar Metro City.

    As referências futurísticas da década de 60 que compõem o belo cenário de Metro City dão lugar ao cinza das peças enferrujadas de robôs fora de circulação e ao verde da Terra. A mudança de cenário também será a descoberta de um novo mundo interior, solitário e confuso, no qual Astro conhecerá crianças que, como ele, “não têm pai”.

    Em sua nova casa, aprende o que é companheirismo, a brincar com outras crianças e também que nem todo mundo é bom. Astro Boy é enganado pelo Dr. Ham Egg, que conserta robôs usados e ganha dinheiro com eles num torneio de lutas. Ao mesmo tempo é perseguido pelas tropas do Presidente Stone por causa de sua fonte de energia, descobre que é um menino-robô e tenta tirar o melhor proveito da nova situação, em sua busca em ser aceito como o que é.

    Bastante inocente, a narrativa evoca conflitos da infância envolvendo a aceitação do diferente, a amizade, a relação com a família e a convivência pacífica com a tecnologia e a preservação dos recursos naturais, por meio da consciência de seu papel no mundo. A adaptação fiel vai agradar especialmente aos fãs da série. Considerando que no Brasil o mangá e anime têm público cativo e uma colônia nipo-descendente numerosa, o filme tem boas chances nos cinemas daqui.

    Nos Estados Unidos, o desempenho de Astro Boy foi bem abaixo das expectativas. Em cartaz desde 23 de outubro de 2009, não arrecadou nem um terço do seu orçamento de US$ 65 milhões. Outra razão seria a concorrência de personagens infantis e das produções audiovisuais do gênero atualmente.

    Independente dos números e motivos, Astro Boy tem potencial para encontrar um novo público infantil, na faixa dos sete ou oito anos de idade, que ao conhecê-lo vai se identificar com seus dilemas e apaixonar-se por seus poderes.

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