ATÉ A ETERNIDADE

ATÉ A ETERNIDADE

(Les Petits Mouchoirs)

2010 , 155 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/07/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Guillaume Canet

    Equipe técnica

    Roteiro: Guillaume Canet

    Produção: Alain Attal

    Fotografia: Christophe Offenstein

    Estúdio: Canal+, Caneo Films, CinéCinéma, Cofinova 6, Europa Corp, La Compagnie Cinématographique Européenne, Les Productions du Trésor, M6 Films, Panache Productions, W9

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Anne Marivin, Benoit Magimel, Benoît Petitjean, EdouardMontoute, François Bredon, François Cluzet, Gilles Lellouche, Hocine Mérabet, Jean Dujardin, Jean-Claude Cotillard, Jean-Claude Lagniez, Jean-Louis Fourrier, Jeanne Dupuch, Joël Dupuch, Laurent Lafitte, Louise Monot, Mado Mérabet, Marc Mairé, Marion Cotillard, Mathieu Chedid, Maxim Nucci, Néo Broca, Nikita Lespinasse, Niseema Theillaud, Pascale Arbillot, Patrice Renson, Pierre-Benoist Varoclier, Sara Martins, Sarah Barlondo, Valérie Bonneton

  • Crítica

    03/07/2012 18h00

    O que salta aos olhos neste filme francês é a aula que ele dá sobre construção de personagens e a habilidade de equilibrá-los numa mesma trama. Mérito do diretor, ator e roteirista francês Guillaume Canet ao apresentar ao público um grupo de protagonistas tão bem construídos que, quando chegamos à metade do filme, é como se conhecêssemos todos eles há um bom tempo. Sabemos quem foram, quem são e podemos antever seus passos futuros. Assim se constrói personagens críveis aos olhos do espectador e, em Até a Eternidade, todos eles são humanos de carne, osso e alma.

    A trama começa com um ótimo plano-sequência em que acompanhamos Ludo (Jean Dujardin, de O Artista) deixando uma casa noturna depois de uma noite de diversão. Ele pega sua moto e vaga pelas ruas vazias de uma Paris prestes a despertar. Num átimo, um acidente o tira de seu caminho. E não será apenas sua vida que irá mudar depois do inesperado episódio. Ludo era o mais animado de um grupo de amigos que sempre viajava junto nas férias de verão. O acidente acontece pouco antes do início da temporada, quando toda turma já estava pronta para colocar o pé na estrada. Eles visitam o amigo no hospital e, ao verificar que não têm muito o que fazer, decidem seguir com os planos de viagem.

    Indiferença ou impotência diante do ocorrido? A semana na praia vai servir para desmascarar sentimentos e ver até onde vai a pretensa solidez dos laços que os unem. Conflitos diversos surgirão, ocasionados por sentimentos de culpa, ciúmes e segredos que precisam ser guardados ou talvez revelados. E, em meio a tudo isso, há momentos de descontração e humor pautando esse agradável filme sobre o tema amizade, tudo de maneira muito sutil num trabalhado elogiável de desenvolvimento do arco dramático. Inúmeras trivialidades dessas que permeiam nossas vidas são trabalhadas com tal habilidade que o real vira entretenimento e deleite ao longo da projeção.

    Até a Eternidade tem sua força na composição de seus personagens e não em sua história, que nada tem de original ou surpreendente. O filme é charmoso, engraçado, emocionante e possui um verdadeiro sentimento de comunidade em seu conjunto. Com um elenco excepcional, em que se destacam François Cluzet (A Quase Verdade) e Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor), e uma trilha sonora recheada de clássicos norte-americanos, este filme trata do valor da amizade num plano diferente dos dias atuais, em que redes sociais mudaram o conceito do que é ser amigo de alguém. A amizade hoje é quantificável e também mais fácil de terminar, bastando deletar a pessoa de sua lista de contatos. Neste mundo em que cliques resolvem os dramas de nossas vidas, é um prazer ver este filme que se debruça sobre eles.

    E segue aqui um aviso: não desanime diante dos 154 minutos de duração do filme. Até a Eternidade não é longo, mas dentro de seu tempo. Ao final, tem-se a sensação de que poderíamos acompanhar seus personagens por horas a fio.


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