ATIREM NO PIANISTA

ATIREM NO PIANISTA

(Tirez sur le Pianiste)

1960 , 85 MIN.

Gênero: Suspense

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • François Truffaut

    Equipe técnica

    Roteiro: François Truffaut, Marcel Moussy

    Produção: Pierre Braunberger

    Fotografia: Raoul Coutard

    Trilha Sonora: Georges Delerue

    Estúdio: Les Films de la Pléiade

    Elenco

    Albert Rémy, Alex Joffé, Boby Lapointe, Catherine Lutz, Charles Aznavour, Claude Heymann, Claude Mansard, Daniel Boulanger, Jean-Jacques Aslanian, Marie Dubois, Michèle Mercier, Nicole Berger, Richard Kanayan, Serge Davri

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Dois bandidos, em pleno ato criminoso, conversam descontraidamente sobre temas fúteis – e até engraçados – que nada têm a ver com o crime que está sendo cometido. Alguém pensou em Pulp Ficition – Tempo de Violência? Engano. A sarcástica cena está no filme Atirem no Pianista, que François Truffaut fez em 1960, ou seja, 34 anos antes de Tarantino.

    Neste seu segundo longa, Truffaut já deixa clara sua paixão pelo cinema noir americano. Em ritmo de novela policial, ele mostra a história de Charlie (o ator, cantor e compositor Charles Aznavour), pianista que toca num barzinho decadente, mas que tem talento suficiente para ser um grande concertista. Por que? Os flash backs explicarão. Aliás, mais importante que conhecer a trajetória e os segredos de Charlie é curtir o estilo leve e despojado dos primeiros anos de Truffaut. Através de diálogos e movimentos de câmera repletos de agilidade, o então jovem diretor (28 anos) parece se divertir muito com o que faz. Não se prende a normas rígidas, mistura sem cerimônia a tragédia e a comédia, inova, e já profetiza os ares de liberdade estética que tomariam conta do cinema experimental dos anos 60 e 70.

    A partir do livro do norte-americano David Goodis, Truffaut conta, numa só tacada, uma história de amor (o pianista Charlie se apaixona pela garçonete Lena, vivida por Marie Dubois, para o desespero e ciúmes do dono do bar), um conto policial (o irmão de Charlie inadvertidamente o envolve com o mundo do crime), e ainda tem um tempinho para o riso (a cena onde o criminoso diz que sua mãe pode “cair mortinha” é impagável). Tudo com charme e descontração que provam, mais uma vez, que Truffaut foi o menos hermético e o mais digerível dos cineastas da época da Nouvelle Vague francesa.

    A trilha sonora é de Georges Delerue, que mais tarde comporia importantes trilhas do cinema, como O Inconformista, Julia, Platoon e dezenas de outras.




    13 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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