ATLANTIS: O REINO PERDIDO

ATLANTIS: O REINO PERDIDO

(Atlantis: The Lost Empire)

2001 , 97 MIN.

anos

Gênero: Animação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gary Trousdale, Kirk Wise

    Equipe técnica

    Roteiro: Tab Murphy

    Produção: Don Hahn, Kendra Halland

    Trilha Sonora: James Newton Howard

    Estúdio: Disney

    Elenco

    Camila Pitanga, Claudia Christian, James Garner, Jim Varney, José Santa Cruz, Maitê Proença, Manolo Rey, Márcio Simões. Michael J. Fox, Mark Hamill

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Parece praga: à exceção de Titanic, os projetos cinematográficos situados em ambientes aquáticos tendem sempre – com o perdão do trocadilho – a afundar. Foi assim com Waterworld, O Segredo do Abismo e agora com Atlantis, que estréia este fim de semana no Brasil. Não que o filme seja ruim, mas ele não consegue honrar as tradições, nem manter o padrão de qualidade dos até então inabaláveis Estúdios Disney.

    A história é ambientada na primeira década do século passado e fala da obstinação do jovem Milo em tentar descobrir o continente perdido da Atlântida. Porém, ninguém leva o rapaz a sério. Até que um amigo de seu avô decide patrocinar uma megaexpedição em busca do misterioso lugar e contrata Milo como intérprete e tradutor. No melhor estilo Julio Verne, uma trupe de pesquisadores e aventureiros embarca num submarino ultramoderno, na tentativa de desvendar o mistério de Atlântida.

    As imagens da partida da expedição são impressionantes e reúnem o que há de mais moderno em técnicas de animação para cinema. Porém, passado o primeiro impacto, a falta de consistência do roteiro logo vem à tona. Os personagens são desagradáveis (principalmente as mulheres, pintadas preconceituosamente com cores machistas), a violência corre solta como nunca havia acontecido antes numa produção da Disney e torna-se muito difícil a identificação da platéia com os frágeis heróis apresentados no desenho.

    O membro da equipe que representa a França, por exemplo, se assemelha a uma toupeira que tem prazer em chafundar na terra e na sujeira, tendo sempre moscas à sua volta. Em determinado ponto do filme, ele é ameaçado com um sabonete. Será que o público francês vai aprovar? A supostamente sensual Helga logo assume ares masculinamente agressivos, assim como a sua companheira encarregada de consertar os motores mecânicos da expedição. Há extensas cenas de tiroteios e mortes, contrariando todo o espírito Disney das últimas décadas. E, sem querer entregar o final, uma das mais importantes autoridades de Atlântida morre de hemorragia interna, vitimada por um soco no estômago.

    Será que foi esta a maneira que os produtores encontraram para rebater as críticas de que a fórmula Disney estava “adocicada demais”? Será que foi esta a forma que os executivos da empresa imaginaram para combater a ascensão da Dreamworks (leia-se Steven Spielberg) no mercado de desenhos animados? Será que os marketeiros chegaram à conclusão que o público do século 21 queria ver piadas de mau gosto e violência num produto Disney? Os números provam que estes produtores, executivos e marketeiros estavam errados: dos US$ 90 milhões investidos na produção de Atlantis, menos da metade retornou nas bilheterias até agora.

    E enquanto isso, num pântano qualquer, Shrek bate a casa dos US$ 200 milhões de bilheteria, esbanjando bom humor, sarcasmo, alto astral... e alfinetadas contra a Disney.

    25 de junho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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