Cartaz do filme Atômica

ATÔMICA

(Atomic Blonde)

2017 , 115 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia: 31/08/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Leitch

    Equipe técnica

    Roteiro: Antony Johnston, Kurt Johnstad, Sam Hart

    Produção: A.J. Dix, Eric Gitter

    Fotografia: Jonathan Sela

    Trilha Sonora: Tyler Bates

    Estúdio: 87Eleven, Closed on Mondays Entertainment, Denver and Delilah Productions

    Montador: Elísabet Ronaldsdóttir

    Distribuidora: Universal Pictures

    Elenco

    Attila Árpa, Balazs Lengyel, Barbara Sukowa, Bill Skarsgård, Cale Schultz, Charlize Theron, Daniel Bernhardt, Daniel Hargrave, Declan Hannigan, Eddie Marsan, Greg Rementer, James Faulkner, James McAvoy, Jóhannes Haukur Jóhannesson, John Goodman, Lili Gesler, Martin Angerbauer, Roland Møller, Sam Hargrave, Sara Natasa Szonda, Sofia Boutella, Til Schweiger, Toby Jones

  • Crítica

    30/08/2017 17h24

    Por Daniel Reininger

    Charlize Theron mostrou que é badass demais em Mad Max: Estrada Da Fúria e este ano ela volta incrível em Atômica, longa baseado na Graphic Novel de Antony Johnston. No filme, a atriz vive uma espiã do MI6 que é uma mistura de John Wick, Jason Bourne e Ethan Hunt e ainda consegue ser mais foda do que todos os anteriores.

    A atitude rock'n' roll da protagonista só ajuda o longa a ter uma atmosfera punk decadente que combina muito com Berlim de 1989, cidade que vivia a tensão da possível queda do muro que dividiu a cidade por 28 anos. Na trama, a agente Lorraine Broughton precisa ir até a cidade buscar uma lista com o nome de diversos agentes aliados envolvidos em missões variadas contra a União Soviética. Se essa lista vazar, centenas de espiões estarão em perigo.

    O longa usa a situação do Muro de Berlim como pano de fundo e não está muito interessado em tratar da turbulência política da época. O foco aqui são os jogos de espionagem dos bastidores e como aliados e inimigos são confundidos nesse ambiente tenso e frio. Mas não espere algo complexo, a trama é simples e direta, sem surpresas, e está mais para um filme de ação puro e simples.

    Por sinal, a pancadaria é realista e brutal, as coreografias são ótimas e as lutas tem uma intensidade impactante. O visual estilizado, a precisa direção de arte capaz de recriar bem a época e o figurino inspirado apenas ajudam a fazer de cada cena de ação uma obra de arte, uma dança violenta e impossível de desviar os olhos.

    Charlize Theron é a alma do filme. A atriz prova que é uma das estrelas de ação mais talentosas de sua geração. Ela é capaz de se manter fria e concentrada nos momentos em que precisa passar despercebida, mas, quando a porrada começa, ela se transforma em uma pessoa extremamente violenta e faz essa transição com naturalidade. Lorraine não chega a ter a mesma intensidade de Furiosa, mas por questões de roteiro e não de atuação.

    Junto com a atriz, James Mcavoy mostra que está mesmo no auge da carreira ao dominar o papel de David Percival, um agente britânico que já não sabe mais a diferença entre o certo e o errado e só está preocupado com seus próprios interesses. Sofia Boutella também está bem como Delphine, interesse romântico de Lorraine e agente também envolvida na bagunça que é Berlim em 1989.

    Se o visual e as atuações são dignos de elogios, a trilha sonora é ainda melhor. Com músicas selecionadas a dedo para reforçar o clima dos anos 80, como os clássicos I Ran, Blue Monday, London Calling, Cities in Dust, o filme ainda sabe usar as melodias para reforçar o clima das cenas e fazer cada composição ter um peso importante na trama. Nesse ponto, Atômica ganha até mesmo de Em Ritmo De Fuga, no qual a trama é movida pela trilha.

    Mas nem tudo é perfeito. O longa sofre com um problema de ritmo em sua metade, se torna um pouco arrastado e, até mesmo, óbvio demais, apesar de nunca revelar as motivações de personagens centrais. Além disso, o desfecho previsível tira um pouco da graça e a cena final (em Paris) é totalmente desnecessária. São defeitos que atrapalham, de fato, mas não chegam a estragar a diversão.

    Atômica não é tão inteligente como tenta parecer, mas como filme de ação é simplesmente inesquecível. A parte da espionagem deve ser tratada apenas como um meio para um fim, afinal, como espiã, ela é uma grande guerreira. Mas a atitude do filme e de sua protagonista, as cenas fodas e o cuidado com detalhes técnicos fazem desse longa algo imperdível. E se prepare para ouvir a trilha sonora em looping por dias após ir ao cinema.

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