Pôster do filme Attila Marcel

ATTILA MARCEL

(Attila Marcel)

2013 , 102 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia: 09/10/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sylvain Chomet

    Equipe técnica

    Roteiro: Sylvain Chomet

    Trilha Sonora: Sylvain Chomet

    Estúdio: APPALOOSA DEVELOPPEMENT, Eurowide Film Production, France 3 Cinéma, Pathé

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Anne Le Ny, Bernadette Lafont, Guillaume Gouix, Hélène Vincent, Jean-Claude Dreyfus, Luis Rego

  • Crítica

    02/10/2014 17h10

    Por Iara Vasconcelos

    Divertido e espirituoso são as principais características de Attila Marcel, primeiro filme no estilo Live Action dirigido pelo francês Sylvain Chomet, conhecido pela animação indicada ao Oscar As Bicicletas De Belleville. Assim como na aclamada obra, a aura lúdica e o humor irônico, características marcantes do universo onírico do diretor, também se fazem presentes no longa, que mescla bem comédia e drama.

    No enredo, Paul (Guillaume Gouix) é um primoroso pianista de trinta anos, que devido a um trauma de infância – ele presenciou a morte de seus pais – perdeu a memória e não consegue deixar de agir como criança. Ele vive sob a tutela de duas tias controladoras, cujo principal objetivo é ver o sobrinho vencer uma competição de piano, que vem perdendo, por anos consecutivos, para concorrentes chineses.

    Como sua condição o impede também de falar, Paul se comunica apenas por meio da escrita – mais precisamente, com um pequeno quadro-negro pendurado na sala de sua casa, onde escreve tudo que precise e deixa avisos para as tias. Exatamente pela falta de diálogos, a comunicação corporal funciona como um meio de transmitir as emoções de cada momento e o jogo de olhares se faz muito presente.

    A sua vida monótona começa a mudar após conhecer madame Proust, hippie-curandeira-tocadora de Ukulele, que reside em seu prédio. Ao entrar em sua casa para entregar um objeto perdido por um homem, ele se depara com a grande horta que a mulher mantém em seu apartamento. Comovida com a situação de Paul, ela propõe ajudá-lo a relembrar seu passado a fim de conquistar uma vida normal.

    As sessões de regressão de memória protagonizadas pelos dois garantem boas risadas. Nessas sessões, madame Prost serve à Paul um misterioso chá e Madeleines – típico bolinho francês que o levam a entrar em transe. Graças a essas pequenas acid trips, ele tem lapsos de lembranças da sua infância. Mas nem tudo é o que parece, como fica claro ao longo da história.

    A música é fator essencial na trama e é tão importante como qualquer personagem. A trilha sonora pontua o clima das cenas apresentadas, garantindo dramaticidade e tom cômico quando necessário. Bom exemplo do poder da música na narrativa é na cena em que seu pai agride sua mãe. Enquanto Paul - ainda criança - assiste a tudo, a trilha é alegre e cria paradoxo entre a realidade e a imaginação do menino.

    Aliás, o pai de Paul é a inspiração para o título do filme. Attila Marcel era um boêmio e violento lutador, cujo nome artístico foi inspirado na canção – de mesmo nome – que integrou a trilha de As Bicicletas De Belleville e falava sobre um homem que agredia a esposa.

    Com um desfecho surpreendente, Attila Marcel sabe ser dramático e cômico sem ser piegas ou escrachado. Obra sensível e bem humorada que, embora não garanta gargalhadas, com certeza te deixará com um sorrisinho otimista no rosto durante bom tempo.

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