Pôster Bacurau

BACURAU

(Bacurau)

2019 , 131 MIN.

16 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 29/08/2019

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  • Onde assistir

    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho

    Equipe técnica

    Roteiro: Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho

    Produção: Emilie Lesclaux, Michel Merkt, Olivier Père, Saïd Ben Saïd

    Trilha Sonora: Mateus Alves, Tomaz Alves Souza

    Estúdio: arte France Cinéma, Cinemascópio Produções, SBS Films, Símio Filmes

    Montador: Eduardo Serrano

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Alli Willow, Antonio Saboia, Barbara Colen, Brian Townes, Buda Lira, Chris Doubek, Clebia Sousa, Edilson Silva, Jonny Mars, Julia Marie Peterson, Karine Teles, Rodger Rogério, Rubens Santos, Silvero Pereira, Sonia Braga, Thomas Aquino, Udo Kier, Uirá dos Reis, Valmir do Côco, Wilson Rabelo

  • Crítica

    27/08/2019 12h00

    Por Daniel Reininger

    Kleber Mendonça Filho, dessa vez ao lado de Juliano Dornelles, abandona a calma reflexiva de seus filmes anteriores (O Som Ao Redor e Aquarius) para criar um perturbador conto sobre violência, opressão e esquecimento. Situado no sertão brasileiro, é um grito de desafio contra a atual situação do Brasil.

    O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019 completa a sua crítica ao atual presidente nos créditos finais, quando uma mensagem aponta que a produção criou 800 empregos. Uma das críticas recorrentes de Bolsonaro aos gastos com a cultura.

    Na trama, Bacurau é um pequeno povoado do sertão brasileiro, que dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas e as coisas começam a ficar cada vez mais estranhas e violentas.

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    Mistura de drama, faroeste e ficção científica, o longa mostra um vilarejo do interior pernambucano, esquecido pelos seus governantes, mas ameaçado por forças externas, ambientado num Brasil ainda mais desigual e desumano em um futuro próximo e opressor. É um futuro sombrio, mas também traz uma história muito atual. Até por isso é capaz de levantar questões importantes para o país nesse momento de insegurança.

    Não há dúvidas de que o filme é uma crítica pesada e chega bem em meio a ameaças do governo federal de censurar projetos apoiados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), órgão que o presidente Jair Bolsonaro já ameaçou extinguir. Afinal, cultura é uma afronta para os opressores.

    Porém a crítica vem de antes, é também sobre o fato do Brasil não enxergar seus oprimidos, não querer enxergar suas dificuldades e não querer abrir mão da situação de colônia diante do imperialismo.

    Bacurau é um longa de ação capaz de nos remeter a filmes de faroeste do Clint Eastwood. É um filme provocador, estranho, incômodo, porém prende a atenção do começo ao fim. O elenco é incrível, tanto os brasileiros, quanto estrangeiros e também os moradores locais do povoado de Barras, onde o filme foi rodado. A veracidade e o realismo são extremante importantes para essa obra funcionar.

    O longa é estranho, mas num bom sentido. É violento, porém com sentido. É opressivo, de forma intencional, e é uma crítica importante nesse momento. É um filme de uma qualidade técnica incrível e uma história cativante. Poderia ser um pouco mais curto, o que deixaria a narrativa mais fluída, mas ainda assim Bacurau é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos.

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