BANHOS

BANHOS

(Xizhao)

1999 , 92 MIN.

anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Yang Zhang

    Equipe técnica

    Roteiro: Huo Xin, Liu Fen Dou, Zhang Yang

    Elenco

    He Zheng, Jiang Wu, Lao Lin, Lao Wu, Pu Cun Xin, Zhang Jin Hao, Zhu Xu

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Novamente a China dá um banho - sem trocadilhos - de criatividade, sensibilidade e simplicidade. Depois do excelente Nenhum a Menos, Banhos é mais uma pequena obra de arte que o cinema chinês presenteia para o ocidente.

    Tudo acontece numa antiga e tradicional casa de banhos. É lá que os homens se reúnem para conversar, jogar, trocar confidências, apostar em brigas de grilos (!), relaxar... e até tomar banhos. Diferente do que supõem as nossas pervertidas mentes ocidentais, as casas de banho da China não são pontos de prostituição nem de homossexualidade. Bom, pelo menos esta retratada no filme.
    Com simpatia e muita dedicação, o proprietário do estabelecimento – ao lado de seu filho deficiente mental – gerencia o lugar como um alegre clube de amigos. Mais que amigos, cúmplices. O conflito se inicia quando um segundo irmão – materialista, bem sucedido na vida – vai até a casa de banhos para uma visita ao seu pai. E não consegue compreender o clima de harmonia que reina no lugar. Preso ao celular, o rapaz “que deu certo” tem vergonha do irmão deficiente, do seu simplório pai, de suas próprias raízes.

    O filme aborda temas extremamente simples. A valorização das pequenas e importantes coisas da vida, o relacionamento familiar, a amizade, o amor... nada espetacular nem espetaculoso. Nada de fogos de artifício. E é justamente aí que reside a poesia de Banhos. Tudo flui diante dos olhos do espectador de maneira natural, calma, clara, como a própria água que não pára de jorrar das torneiras e chuveiros do lugar.

    Para compor este verdadeiro hino à simplicidade, o diretor Zhang Yang – neste que é apenas o seu segundo longa-metragem - sabiamente descartou a utilização dos estilos “da moda” no setor de filmes de arte. Nada da estudada aridez iraniana, nem da pseudo-filosofia francesa. Yang foi buscar um ritmo próprio, seu. Um equilibrado meio termo situado entre alguns de seus estáticos colegas do Oriente (o aborrecido Tsai Ming Liang, por exemplo) e as fórmulas mais comerciais vindas da Europa. Sem globalizar, Yang criou um filme ao mesmo tempo chinês e mundial. Uma crítica – sem dúvida – ao capitalismo que galopa em seu país, mas também um alerta a toda e qualquer pessoa que coloque o talão de cheques acima do coração.
    E isso não tem pátria.

    Banhos é um dos melhores filmes do ano.

    05 de setembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.

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