BARAN

BARAN

(Baran)

2001 , 94 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Majid Majidi

    Equipe técnica

    Roteiro: Majid Majidi

    Produção: Fouad Nahas, Majid Majidi

    Fotografia: Mohammad Davudi

    Trilha Sonora: Ahmad Pezhman

    Elenco

    Abbas Rahimi, Gholam Ali Bakhshi, Hossein Abedini, Hossein Mahjoub, Mohammad Amir Naji, Zahra Bahrami

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um edifício em construção serve de microcosmo para a situação atual do Irã: pobreza, subemprego, conflitos e, principalmente, o preconceito que os iranianos nutrem contra a mão-de-obra barata vinda ilegalmente do Afeganistão. Lateef (Hossein Abedini) e Rahmat (Zahra Bahrami) são personagens-símbolo deste panorama: enquanto o iraniano Lateef é brigão, senhor de si e contrário à presença de afegãos em seu país, o franzino afegão Rahmat se resigna silenciosamente à sua incômoda situação de imigrante ilegal a procura de trabalho. Ambos convivem na obra em andamento, dentro de uma razoável paz vigiada. Até que um segredo de Rahmat é descoberto, mudando radicalmente o comportamento de Lateef. Dizer mais seria estragar a primeira surpresa do filme, que acontece aos 30 minutos de projeção.

    À primeira vista, Baran é uma história simples e poética contada com simplicidade quase ingênua, como é da tradição do cinema iraniano. Porém, uma segunda análise revela que o diretor Majid Majidi (o mesmo de O Pai e Filhos do Paraíso) tem bebido na fonte do cinema comercial produzido no ocidente. Repare: os cortes estão mais ágeis, os enquadramentos mais dinâmicos, e há até uma cena de fuga e perseguição rodada em câmera lenta. Fora isso, dentro do melhor estilo Syd Field, o roteiro dá uma primeira grande reviravolta aos 30 minutos. Não deve ser coincidência. Nada disso, porém, tira de Baran o sabor deliciosamente naif das produções iranianas. Essa pitada de tempero ocidental até fez bem ao filme, que dá o seu recado de tolerância, ao mesmo tempo em que torna o cinema feito no Irã um pouco mais palatável ao gosto do público situado à esquerda de Greenwich. Talvez os mais puristas reclamem, mas mesmo assim Baran é um trabalho poético e sensível que merece ser conferido.

    28 de maio de 2003
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. [email protected]

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