BATALHA REAL

BATALHA REAL

(Battle Royale)

2000 , 114 MIN.

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kinji Fukasaku

    Equipe técnica

    Roteiro: Kenta Fukasaku

    Produção: Chie Kobayashi, Kenta Fukasaku, Kimio Kataoka, Kinji Fukasaku, Toshio Nabeshima

    Fotografia: Katsumi Yanagijima

    Trilha Sonora: Kunio Ando

    Elenco

    Aki Maeda, Chiaki Kuriyama, Sousuke Takaoka, Takashi Tsukamoto, Taro Yamamoto, Tatsuya Fujiwara, Yukihiro Kotani

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Batalha Real é um dos filmes mais cultuados na safra recente do cinema japonês. Além de ser dirigido pelo não menos cult Kinji Fukasaku - considerado o pai dos filmes de gângsteres japoneses -, o filme não entrou no disputado circuito comercial norte-americano. Primeiro porque sua principal produtora, a Toei Company, não tinha interesse nisso. Além disso, nenhuma empresa teve coragem de comprar os direitos da produção e distribuí-la nos EUA depois de traumas como o episódio em Columbine High, em 1999. Mesmo no mercado brasileiro, o filme de 2000 permanecia inédito: foi exibido somente em algumas mostras e no Festival do Rio, no ano seguinte. Somente agora, Batalha Real chega em DVD.

    Baseado em livro homônimo de Koushun Takami, Batalha Real se passa num futuro indefinido e apocalíptico. Nessa época idealizada, o governo japonês seleciona anualmente um grupo de estudantes secundaristas e os leva para uma ilha deserta. Lá, cada um dos jovens recebe uma mochila com mantimentos e uma arma dos mais diversos sortimentos - desde revólveres até tampas de panela - para se defender. O objetivo é ser o único sobrevivente, condição na a qual o jogo termina. O programa, conhecido como Batoru Rowaiaru (uma versão em japonês da palavra Battle Royale, título do filme em seu lançamento internacional), é uma forma encontrada pelas autoridades para conseguir controlar a violência juvenil, que cresce a níveis incontroláveis somente nas cadeiras das escolas.

    O filme foca a história de alguns jovens, como a dupla de amigos Shuya (Tatsuya Fujiwara) e Shougo (Taro Yamamoto). Na verdade, cada adolescente - que no programa é conhecido por um número - reproduz um clichê dentro do tipo de sociedade que se forma na adolescência: os melhores amigos; a doce garota pela qual o protagonista é apaixonado; o rapaz duro e sem coração; o mais velho que se mostra afetuoso; a ninfeta. Afinal, adolescentes são os mesmos, independente do país, ou mesmo da época. Mas, para diferenciar, há referências estéticas ao J Pop, movimento cultural estritamente ligado ao que é popular entre os jovens japoneses. No entanto, a forma como o filme mostra esses personagens está longe dos clichês primeiramente pela situação na qual eles são colocados. Tendo de matar uns aos outros, eles se revelam e o senso de sobrevivência fala mais alto. A situação, apesar de ser extrema e violenta de uma forma absurda, serve como uma metáfora cínica para o que os adolescentes encontram na idade adulta. Numa sociedade real, é difícil não passar por uma situação de guerra similar à de Batalha Real - guardadas as devidas proporções, evidentemente. Desta forma, a produção pode ser considerada a percussora de filmes japoneses que abordam um esvaziamento moral da juventude atual.

    O melhor em Batalha Real é a forma violentamente exagerada e cínica na qual os personagens são colocados. Nesse cenário, o personagem de Takeshi Kitano - o único adulto de destaque - não é uma consciência, mas sim o reflexo do tipo de relação que se cria entre os estudantes e professores, desse descontrole no qual chega a sociedade japonesa. A educação rigorosa, típica da cultura japonesa, não funciona mais neste futuro idealizado. Muito menos a solução que o governo chega, evidentemente.

    Em tempo: aos admiradores dos filmes de Quentin Tarantino (Kill Bill), é importante lembrar que ele mesmo é um grande fã de Batalha Real. Sempre que podia, o cineasta falava sobre esta produção, que mistura ação, suspense e drama. Além disso, escalou Chiaki Kuriyama para interpretar Gogo Yubari em Kill Bill: Vol. 1. Batalha Real também virou mangá, escrito pelo próprio Koushun Takami e desenhado por Masayuki Taguchi.

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