BATMAN BEGINS

BATMAN BEGINS

(Batman Begins)

2005 , 139 MIN.

10 anos

Gênero: Ação

Estréia: 17/06/2005

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Christopher Nolan

    Equipe técnica

    Roteiro: Bob Kane, Christopher Nolan, David S. Goyer

    Produção: Charles Roven, Emma Thomas, Larry J. Franco, Lorne Orleans

    Fotografia: Wally Pfister

    Trilha Sonora: Hans Zimmer, James Newton Howard

    Estúdio: DC Comics, Legendary Pictures, Patalex Productions, Syncopy, Warner Bros

    Elenco

    Alex Moggridge, Alexandra Bastedo, Andrew Pleavin, Catherine Porter, Cedric Young, Charles Edwards, Charlie Kranz, Chike Chan, Christian Bale, Christine Adams, Cillian Murphy, Colin McFarlane, Conn Horgan, Darragh Kelly, Dave Legeno, David Bedella, David Murray, Dominic Burgess, Earlene Bentley, Emily Steven-Daly, Emma Lockhart, Emmanuel Idowu, Fabio Cardascia, Flavia Masetto, Gary Oldman, Gerard Murphy, Gus Lewis, Ilyssa Fradin, Jack Gleeson, Jamie Cho, Jay Buozzi, Jeff Christian, Jeff Tanner, Jeremy Theobald, Jo Martin, Joe Hanley, Joe Sargent, John Burke, John Judd, John Kazek, John Nolan, Jonathan D. Ellis, Jordan Shaw, Joseph Rye, Karen David, Karl Shiels, Katie Holmes, Ken Watanabe, Khan Bonfils, Kieran Hurley, Kwaku Ankomah, Larry Holden, Leon Delroy Williams, Liam Neeson, Linus Roache, Lucy Russell, Mark Boone Junior, Mark Chiu, Mark Rhino Smith, Mark Straker, Martin McDougall, Matt Miller, Mel Taylor, Michael Caine, Morgan Freeman, Nadia Cameron-Blakey, Noah Lee Margetts, Omar Mustafa, Patrick Nolan, Patrick Pond, Phill Curr, Poppy Tierney, Rade Serbedzija, Richard Brake, Richard Laing, Risteard Cooper, Rodney Ryan, Roger Griffiths, Roger Yuan, Ronan Leahy, Rory Campbell, Ruben Halse, Rutger Hauer, Sai-Kit Yung, Sara Stewart, Sarah Wateridge, Shane Rimmer, Soo Hee Ding, Spencer Wilding, Stephen Walters, T.J. Ramini, Tamer Hassan, Tenzin Clive Ball, Tenzin Gyurme, Terry McMahon, Tim Booth, Timothy Deenihan, Tom Nolan, Tom Wilkinson, Tom Wu, Turbo Kong, Vincent Wong

  • Crítica

    17/06/2005 00h00

    Baseado nos quadrinhos Batman: Ano Um, criados por Frank Miller no final dos anos 80, Batman Begins traz aos cinemas um novo herói. Esqueça o Batman de Tim Burton. Esqueça o Batman de Joel Schumacher (agora, mais do que nunca). A quinta aventura, que tem como protagonista o protetor de Gotham City, inaugura uma nova fase na trajetória cinematográfica do herói, criado em 1939, por Bob Kane e Bill Finger, para a DC Comics. Sombrio, adulto e dramático, Batman Begins, dirigido por Christopher Nolan, dá um novo status ao personagem.

    A responsabilidade é grande. Afinal, trata-se de um dos personagens mais queridos não somente dos quadrinhos, mas do cinema também. Sua primeira aparição nas telonas foi em 1989, em Batman, dirigido por Tim Burton, que também conduziu a segunda aparição do Homem-Morcego nos cinemas, em 1992 (Batman - O Retorno). Em 1995, foi a vez de Joel Schumacher inserir-se no universo de Batman com Batman Eternamente e, em 1997, Batman & Robin. Este último diretor, inclusive, foi um dos cotados para voltar a dirigir as aventuras de Batman nas telonas, mas seu envolvimento nunca agradou aos fãs. Dos quatro filmes já feitos sobre o herói até Batman Begins, os que menos agradaram foram os de Schumacher.

    A trajetória do personagem nos cinemas estava em franca decadência. Batman Begins, no entanto, recomeça a série Batman totalmente desvencilhado das produções anteriores. Christopher Nolan aperta o botão do reset dentro da franquia, trazendo novos elementos ao personagem. Mais do que o terror dos bandidos de Gotham City, este Batman é um homem perturbado. Nolan mostra todos os dramas vividos pelo protagonista, desde a morte de seus pais na infância, evidenciando a humanidade sob a capa preta do herói.

    Christian Bale é o quarto ator a viver o Cavaleiro das Trevas nos cinemas. O melhor de todos, no caso, graças ao talento do ator de O Operário. Talento reconhecido, inclusive, não é o que falta em Batman Begins, desde o diretor, o mesmo de Amnésia, até o elenco, que inclui Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Tom Wilkinson. Juntando um time desses fica difícil errar.

    Depois do assassinato dos pais quando ainda era um garoto, Bruce cresce em uma cidade que afunda cada vez mais na violência e na corrupção. Mais do que observar a decadência do lugar onde vive, o jovem herdeiro da família mais poderosa de Gotham City pensa em fazer justiça como forma de vingar a morte dos pais. Isso sem contar a culpa pelo crime, que nunca o abandona. De qualquer forma, seu senso de justiça não é parecido com o de Rachel Dawes (Katie Holmes), que se torna promotora pública. Afinal, Bruce sabe que a Justiça como instituição não existe: Rachel raramente tem sucesso ao tentar mandar à prisão os capangas de Falcone (Tom Wilkinson), chefão que comanda o submundo do crime em Gotham City. Especialmente por que Falcone parece receber a ajuda do dr. Jonathan Crane (Cillian Murphy), cuja especialidade é alegar insanidade para poupar os bandidos da prisão. Enfim, Batman quer prender os bandidos no ato do crime e ponto final, ao contrário de sua amiga.

    Esse é o panorama que Bruce tem ao voltar a Gotham City, depois de 20 anos afastado da cidade. Antes, ele roda o Oriente a fim de obter treinamento e respostas a tantas dúvidas. Afinal, o Cavaleiro das Trevas é um herói simples, sem os superpoderes de um Homem-Aranha e é também graças a essa preparação que consegue se tornar o salvador da cidade. É isso que ele obtém ao encontrar, de forma misteriosa, Ducard (Liam Neeson), membro da Liga das Sombras, uma espécie de grupo de justiceiros ninjas que vem agindo na região. A proposta do grupo, liderado por Ra's Al Ghul (Ken Watanabe), parece ser a mesma de Bruce: capturar bandidos, mas eles são um pouco mais radicais em seus meios. De qualquer forma, é com Ducard que nosso herói aprende não somente técnicas de artes marciais e ninjas, mas também como controlar e canalizar seus sentimentos - como medo e desejo de vingança - a fim de chegar a seus objetivos.

    De volta à cidade, Bruce não reencontra somente seus velhos amigos, como Rachel e o mordomo Alfred (Michael Cane), mas também todos os criminosos que pretende desmascarar. Com a ajuda de Alfred e de Lucius Fox (Morgan Freeman), funcionário das Indústrias Wayne, consegue todos os aparatos inseridos nessa guerra do jovem Wayne contra a bandidagem de Gotham City, incluindo o sensacional Batmóvel. Encarando sua maior fobia, relacionada a morcegos, Bruce vira Batman, o herói que age nas noites de Gotham assustando bandidos e intimidando a polícia, de onde sai um dos grandes aliados do protagonista, o tenente (que depois vira comissário) Gordon (Gary Oldman).

    O roteiro de Batman Begins dá maior valor ao drama, aos sentimentos sombrios do personagem. No entanto, ainda há espaço para grandiosas cenas de ação e algumas piadinhas espertas. Provando que se trata de um filme para adultos, não simplesmente mais uma adaptação pop dos quadrinhos para os cinemas, a trilha sonora, composta por Hans Zimmer e James Newton Howard, é totalmente instrumental. No disco, não há espaço para canções comerciais, como foi o caso de Homem-Aranha, por exemplo. A música, inclusive, é o único abuso que pode ser apontado como defeito em Batman Begins. A trilha sonora é recorrente demais, chegando a incomodar em algumas horas. Nada que chegue a depreciar fatalmente o longa-metragem.

    De qualquer forma, trata-se de um filme do Batman completamente independente dos anteriores. Maduro, cheio de boas atuações, muito bem dirigido e roteirizado, Batman Begins é não somente "mais um filme do Batman", mas "o filme". Sem querer desmerecer os filmes anteriores - especialmente os de Tim Burton, dos quais sou fã -, é preciso admitir que esta aventura do Homem-Morcego é superior em sua narrativa. Por isso, tem tudo para iniciar uma nova série de filmes, estrelada pelo Cavaleiro das Trevas. Pelo menos é o que anuncia o próprio roteiro do filme, que dá sinais de qual será o próximo grande vilão enfrentado por Batman. Por enquanto ainda não há nada confirmado, uma vez que os produtores ainda precisam saber se, realmente, trata-se de um sucesso também de público. Mas, se depender do que vi na tela, os espectadores vão, sim, pedir Christian Bale sob a capa do Homem-Morcego novamente.

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