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BATMAN VS SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA

(Batman V Superman: Dawn of Justice, 2016)

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22/03/2016 19h57
por Daniel Reininger

A DC Comics finalmente revelou seu universo compartilhado com Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça e prova estar no caminho certo. O longa evolui a partir da ideia da destruição causada em O Homem De Aço e, como filme, também mostra a evolução de Zack Snyder (300) como diretor, afinal, ele entrega um longa com mais camadas e cenas mais maduras. Só que, como esperado, a introdução de diversos personagens deixa o longa confuso, especialmente no começo.

Há um problema sério de ritmo que deixa o longa cansativo rapidamente. A narrativa é frenética e isso deve atrapalhar o entendimento de todas as tramas paralelas com coerência, principalmente no caso do espectador menos familiarizado com a DC. Entretanto, o excesso de informações serve para introduzir melhor o vilão Lex Luthor e preparar caminho para Mulher-Maravilha, Batman e Superman aparecerem lado a lado no cinema finalmente, sem a necessidade de apresentá-los em filmes individuais. Como consequência, nem tudo faz sentido o tempo todo.

Em princípio, a trama é simples: Bruce Wayne (Ben Affleck) está com raiva de Superman (Henry Cavill) após a destruição de Metrópolis e o considera uma ameaça ao planeta, afinal, ele é um alien aparentemente onipotente que parece não se preocupar com a vida humana e, mesmo que se importe, essa relação pacífica com a humanidade pode não durar. Com medo de ver o mundo dominado pelo Homem de Aço e seus seguidores, Batman decide tomar atitudes drásticas.

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Curiosa é a decisão de Snyder de mostrar novamente o assassinato dos pais de Bruce, algo que toma um bom tempo do longa, além de não ser novidade. Recontar essa história até faz sentido mais perto do fim, entretanto, imaginar o Homem-Morcego aos 50 anos ainda sofrendo por ter perdido seus pais parece algo bem sem sentido.

Em contrapartida, foi uma boa escolha mostrar onde Wayne estava durante a luta de Superman e General Zod que destruiu Metrópolis em O Homem De Aço. Ver sua reação à carnificina deixa os eventos de Batman Vs Superman com muito mais sentido e ajudar a justificar o embate entre os dois maiores heróis da DC, que fazem bom duelo, apesar do péssimo desfecho da luta.

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E mais, fica claro que o Homem-Morcego de Ben Affleck é o novo queridinho da Warner. Ele tem muito espaço na trama e é o personagem com maior desenvolvimento pessoal, enquanto Superman perde um pouco os holofotes e sua subtrama fica um pouco sem sentido. Por sinal, Affleck manda muito bem como Batman. Quem estava receoso com sua escolha pode ficar tranquilo, ele sabe conduzir o personagem com competência e mostra frieza e emoção na medida certa. E o combate com Superman deixa clara sua inteligência e visão estratégica.

Como muitos esperavam, Mulher-Maravilha rouba a cena e sua presença nos combates é mais interessante até do que a luta entre os dois protagonistas. Gal Gadot está muito bem no papel, tanto como Diana, uma misteriosa comerciante de antiguidades, como vestida com seu uniforme, espada e escudo. O mais legal é que ela é exatamente o que os leitores do quadrinhos esperavam: uma mulher forte, poderosa e muito corajosa. Fidelidade nem sempre encontrada no Superman e no próprio Batman de Snyder.

Outro grande problema do filme, porém, está em Lex Luthor. Não é de hoje que a Warner escala atores inesperados para papeis importantes. Quem não se lembra do barulho quando Heath Ledger foi escolhido como Coringa? E deu certo. Mesma coisa agora com Affleck. Só que Jesse Eisenberg não funciona como o vilão. Ele é caricato demais, exagerado mesmo e está mais para Coringa do que para Luthor. Ele tenta passar um ar de loucura constante, que até faz sentido, porém, a forma escolhida pelo ator não transmite credibilidade e fica difícil engolir que qualquer pessoa, muito menos senadores e membros do governo, levaria aquele moleque mimado e maluco a sério.

Por outro lado, algo que parecia problemático no trailer, o exagero de CGI, não é um erro de fato. Visualmente o longa agrada com seu tom sombrio, embora a fotografia seja padrão para filmes de heróis. E, como esperado, as boas cenas de ação devem agradar aos fãs e o público em geral, principalmente quando a trindade da DC entra em ação. O mesmo vale para a trilha sonora, bem presente e impactante, mas sem exageros dessa vez.

No final das contas, Batman Vs Superman é um satisfatório filme de heróis, capaz de emocionar e divertir. Comparações com a Marvel serão inevitáveis, mas é preciso entender que a DC faz as coisas do seu jeito, com tom mais sério e sombrio, afinal essa é a sua marca. E essa diferença é algo bom. Afinal, assistir a outro filme exatamente como Vingadores, mas com a Liga da Justiça no lugar de Homem de Ferro e companhia não traria nada de novo ao cinema.

Finalmente a DC Comics tem seu universo unificado nas telonas e ele promete ser impressionante. Que venha Liga Da Justiça.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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