BEIRA-MAR

BEIRA-MAR

(Beira-Mar)

2015 , 83 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 05/11/2015

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Filipe Matzembacher, Márcio Reolon

    Equipe técnica

    Roteiro: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon

    Produção: Filipe Matzembacher, Márcio Reolon

    Fotografia: João Gabriel de Queiroz

    Trilha Sonora: Felipe Puperi, Mateus Almada

    Estúdio: Avante Filmes

    Montador: Bruno Carboni, Germano de Oliveira

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Ariel Artur, Danuta Zaguetto, Elisa Brittes, Fernando Hart, Francisco Gick, Irene Brietzke, Maitê Felistoffa, Mateus Almada, Maurício Barcellos

  • Crítica

    03/11/2015 16h09

    A forma mais comum de um filme encaminhar seu espectador para seu discurso e sua reflexão é conectar-se no emocional para garantir identificação com os personagens. Beira-Mar segue outro caminho. Para falar sobre desejos, o longa procura uma conversa estética com seu público.

    Martin (Matheus Almada) e Tomaz (Maurício Barcellos) são amigos de infância, mas agora estão mais afastados. A morte do avô de um deles força uma viagem ao litoral, em pleno inverno. Esse reencontro não planejado revela o quanto os dois são pessoas diferentes agora, apesar do afeto da amizade permanecer intacto.

    Aos poucos, percebemos que Tomaz é gay e que existe uma tensão sexual entre os protagonistas. Beira-Mar usa alusões para indicar essa situação. Um exemplo se vê quando a dupla joga videogame e o apertar frenético dos botões nos controles posicionados no colo dos personagens gera uma imagem sugestiva: parece que os garotos estão se masturbando lado a lado, como se assistissem a um filme pornô.

    Essa cena (e outras) poderia facilmente descambar para o cafona. As opções da direção é quem seguram a onda e garantem que a sugestão se complete na mente do espectador com a medida correta de desconforto.

    A dupla de diretores brasileiros se inspira nos belgas irmãos Dardenne (Dois Dias, Uma Noite), com enquadramentos pouco óbvios próximos aos corpos dos personagens e uso de desfoques. Assim, a câmera passeia pelo peito, braço, nuca de cada um dos rapazes. O longa usa da sutileza imagética para seduzir.

    Um efeito colateral das escolhas estéticas de Beira-Mar é evidenciado pela semelhança física entre os personagens principais. Em diversos momentos, a câmera se aproxima de um olhar, mas não sabemos de qual rapaz se trata. A ideia é amalgamar os personagens, mas a confusão no entendimento fala mais alto do que a mensagem passada pela manobra audiovisual. O filme procura entregar um sujeito indeterminado em sua sintaxe, mas o público recebe um sujeito oculto.

    Felizmente tal obstáculo é minimizado no meio do enredo, por conta de uma transformação física pela qual um dos protagonistas é submetido. A partir desse ponto, o olhar da plateia tem uma âncora visual para diferenciar os personagens.

    O tom da atuação do elenco está alinhado à proposta da produção. Com interpretações leves, os personagens se integram bem ao cenário criado pelo filme. A única exceção é Irene Brietzke (Saneamento Básico, O Filme) no papel da viúva do avô. Ela impõe seu estilo mais forte e destoa dos atores mais jovens.

    O desalinho de interpretação evidencia mais claramente o desalinho da estética como um todo com o tema. Para se falar de desejo, espera-se um filme com mais verve, mais potência, como a atuação de Irene. Beira Mar subverte a expectativa e merece elogios por sua coragem, mas cria uma atmosfera que por vezes é angustiante. Nesse sentido, em que o visual está acima do emocional em um longa sobre urgências da adolescência, o filme aproxima-se de Paranoid Park (2007), de Gus Van Sant.

    Mais uma contrapartida da opção por um filme de emoções mais diluídas e andamento mais vagaroso se percebe no desfecho. Depois de uma conversa importante entre Tomaz e Martin, o espectador já desconfia o que vai acontecer até o final da projeção. E é exatamente o que se passa. Resta ao público acomodar-se na poltrona e aguardar o lento desenrolar dos eventos já previstos com uma pegada pouco emotiva.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus