Bem-vindo a Nova York

BEM VINDO A NOVA YORK

(Welcome to New York)

2014 , 125 MIN.

18 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 04/09/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Abel Ferrara

    Equipe técnica

    Roteiro: Abel Ferrara, Christ Zois

    Produção: Adam Folk

    Fotografia: Ken Kelsch

    Montador: Anthony Redman

    Elenco

    Amy Ferguson, Anh Duong, Aurelie Claudel, Brett G. Smith, Drena De Niro, Gérard Depardieu, Jacqueline Bisset, Maria Di Angelis, Natasha Romanova, Paul Calderon, Paul Hipp, Ronald Guttman, Shanyn Leigh

  • Crítica

    02/09/2014 03h04

    Este longa de Abel Ferrara (de 4:44 - O Fim do Mundo) é livremente inspirado no rumoroso escândalo sexual que ganhou as manchetes dos jornais em 2011 envolvendo Dominique Strauss-Kahn, o ex-chefão do Fundo Monetário Internacional. O termo "livremente inspirado" deve ser levado em consideração pelo espectador, porque o que vai ver na tela não é uma representação dos fatos, mas uma encenação da sordidez sexual e sua relação com o poder pelos olhos de Ferrara.

    Gérard Depardieu (Mamute) interpreta, com total desprendimento, Devereaux, o todo-poderoso presidente de uma instituição financeira viciado em sexo. Um tipo ao mesmo tempo atraente e repulsivo que vive uma vida de excessos hedonistas, depravações sexuais e se considera intocável. Seu mundo, no entanto, vira de cabeça para baixo quando é preso por agressão sexual em uma viagem de negócios a Nova York.

    Ferrara dedica a primeira meia hora do filme ou quase isso a uma série de cenas de sexo prolongadas com Devereaux grunhindo e rosnando com um bicho insaciável. Um interpretação corajosa de Depardieu de um viciado em sexo assumido e descontrolado. Antes, na cena que abre o filme, o ator é mostrado numa coletiva explicando porque se interessou pelo personagem: "Porque eu não gosto dele. Não gosto de políticos", diz.

    Não demoramos muito a notar que Devereaux não é a representação de Strauss-Kahn, mas um personagem criado a partir dele. Uma distorção criativa da mente de Ferrara, que sempre se interessou em filmar o mal e suas manifestações. O problema é que o resultado disso tudo é somente inquietante de se ver. Não passa muito disso e perde a oportunidade de se aprofundar na percepção de que o mundo ainda mantém traços feudais em suas relações sociais.

    A cenas de sexo e orgias que dão o tom num primeiro momento são substituídas posteriormente por também extenuante sequências da via-crúcis de Devereaux dentro do sistema prisional, com sequências que pouco dizem e soam supérfluas. Sobra o bom trabalho dos atores principais: Depardieu com um Devereaux obcecado e escravo de seus apetites - um monstro que não percebe sê-lo -, e Jaqueline Bisset como a mulher inteligente que se resignou no papel de mãe de seu marido autodestrutivo.

    Bem-vindo a Nova York poderia ter se aprofundado em uma infinidade de temas, como a misoginia, mercantilização das mulheres, os males do capitalismo e sociopatias decorrentes , as diferenças de classes e os privilégios dos mais afortunados. A matéria era rica, mas Ferrara preferiu ficar na superfície.

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