BENDITO FRUTO

BENDITO FRUTO

(Bendito Fruto)

2005 , 90 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Goldenberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Rosane Lima, Sérgio Goldenberg

    Produção: Martha Ferraris

    Fotografia: Antônio Luis Mendes

    Trilha Sonora: Fernando Moura

    Elenco

    Camila Pitanga, Eduardo Moscovis, Enrique Diaz, Evandro Machado, Lúcia Alves, Mariana Lima, Otávio Augusto, Thelmo Fernandes, Vera Holtz, Zezeh Barbosa

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Filmes como Amarelo Manga (2002) e Contra Todos (2004) chamaram a atenção do público ao mostrar a degradação nas relações dentro da sociedade brasileira por meio do drama. Com personagens tipicamente brasileiros, beirando o caricatural, essas produções encontram no drama uma forma de mostrar a violência na qual todos transitamos. A comédia Bendito Fruto, primeiro longa-metragem de ficção dirigido pelo documentarista Sergio Goldenberg (Funk Rio), também desenvolve em seu roteiro personagens tipicamente brasileiros, da periferia, assemelhando-se aos filmes citados anteriormente.

    Todas as inspirações para que as histórias e personagens de Bendito Fruto fossem criados vieram da vida real, como a manicure Chokito, vivida por Camila Pitanga: sua construção foi baseada em uma garota entrevistada para o documentário Funk Rio, cuja história teve o mesmo desfecho do filme. A explosão do bueiro, que promove o reencontro de Edgar (Otávio Augusto) e Virgínia (Vera Holtz), também veio de uma notícia no jornal enquanto Goldemberg terminava seu roteiro.

    Edgar é dono do salão de beleza Antonio's, herdado do pai, onde trabalham Chokito e Telma (Lúcia Alves). Morando sozinho, o cabeleireiro nunca teve tempo para encontrar uma esposa e essas coisas que as pessoas adultas costumam fazer porque sempre teve de cuidar de sua mãe doente, falecida há pouco tempo. Na verdade, ele mantém um relacionamento com Maria (Zezeh Barbosa), sua empregada. Mas ele não revela a ninguém sobre o envolvimento porque, além de ser sua empregada doméstica, Maria é negra. Ao longo dos anos, isso não parece ser um problema insuportável para a moça, mas, quando Edgar reencontra sua amiga de escola Virgínia - que está no Rio de Janeiro em férias -, o ciúme fala mais alto e Maria quer resolver essa situação. Afinal, é titular ou não do coração do patrão?

    Maria resolve sair de casa também para receber seu filho, Anderson (Evandro Machado), que foi para a Espanha tentar a vida e se tornou um DJ de renome. Anderson traz não somente novidades do Velho Mundo, mas também seu namorado, Marcelo Monte (Eduardo Moscovis), o galã da novela das 8.

    Bendito Fruto mostra de forma sincera alguns dos preconceitos que mais estão intrínsecos na nossa sociedade, como o racismo e a homofobia. Existe essa convivência pacífica, o que não acontecia antes, mas o preconceito ainda existe. É humano, como todos os personagens deste filme, que erram, mas não são tratados de uma forma maniqueísta. Não são completamente bons, têm seus defeitos e suas virtudes, como qualquer pessoa. Mais do que ser uma comédia tipicamente carioca, com situações e personagens que só poderiam existir na capital carioca - com a funkeira que namora um malandrão -, Bendito Fruto é uma comédia com valores brasileiros. Sem pretensões de fazer qualquer denúncia ou crítica social como os longas citados no começo deste texto, esta deliciosa e inteligente comédia pincela o racismo para contextualizar as situações vividas pelos personagens de forma verdadeira.

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