BENJAMIM

BENJAMIM

(Benjamim)

2003 , 105 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Monique Gardenberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Glênio Póvoas, Jorge Furtado, Monique Gardenberg

    Produção: Augusto Case, Paula Lavigne

    Fotografia: Marcelo Durst

    Trilha Sonora: Arnaldo Antunes, Chico Neves

    Elenco

    Chico Díaz, Cléo Pires, Danton Mello, Guilherme Leme, Paulo José, Rodolfo Bottino

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Talvez seja ingenuidade minha, mas acredito que a crítica nacional sempre olha para os filmes brasileiros com mais condescendência. Uma espécie de torcida velada para que o nosso cinema se firme cada vez mais, caminhe para o sucesso e gere empregos. Eu sou assim. Mais do que ver filmes brasileiros, eu torço para eles. E entrei na sessão de imprensa de Benjamin com este clima de torcida. Queria muito ver um filme bom. Mas logo na primeira cena começou minha decepção: uma imagem pouco definida, pobremente enquadrada (tinha um fio elétrico ou um arame, não sei, cruzando quase toda a extensão do quadro), uma cor borrada, enfim, uma composição incômoda para os olhos. Pensei comigo que talvez fosse esta mesma a proposta da diretora Monique Gardenberg: incomodar. Resolvi dar um voto de confiança, afinal é apenas a primeira imagem do filme. Como crítico de cinema, torci o nariz. Como torcedor, tive a impressão de que meu time havia tomado um gol logo no primeiro minuto de jogo. Vamos em frente.

    Na medida em que Benjamim se desenrolava, minhas decepções iam se sucedendo. Perdi vários diálogos por problemas de som (seria a sala de exibição?). A imagem continuava suja, muitas vezes borrada, sem nenhum motivo temático aparente (seria problema da cópia?). O desencadear da ação e o desenrolar de várias cenas eram mal costurados, como na tosca seqüência da gincana numa revenda de automóveis, que traz uma insossa participação especial do cantor brega Wando (seria um problema de narrativa?). Numa cena dos anos 60, um táxi azul aparece com placa de licenciamento atual, com letras e números, o que não existia na época. Mas tudo bem, não sejamos tão detalhistas assim. Contudo, minha condescendência chegou ao fim na constrangedora cena onde o personagem de Mauro Mendonça faz um último pedido ao personagem de Danton Mello: a diretora conseguiu extrair do grande e irretocável Mauro Mendonça uma atuação beirando o ridículo. Entreguei os pontos. Os problemas de Benjamin não são da sala de exibição, da cópia, nem de ninguém. O problema do filme é o próprio filme. Frio, tecnicamente mal acabado, com posições de câmeras preguiçosas, e uma trilha sonora das mais óbvias que inclui até "Ne Me Quite Pas" (é assim que se escreve?) e trabalhos ultrabatidos e explorados de Astor Piazzola. Torci em vão: desta vez, meu time perdeu.

    Há, porém, um gol de honra: a excelente estréia da atriz Cleo Pires, filha de Glória Pires e Fábio Jr., num difícil papel duplo. A atuação dela é a melhor coisa de Benjamin e prenuncia uma ótima carreira.

    Baseado no livro de Chico Buarque de Hollanda, o filme conta a história de Benjamin (Paulo José e Danton Mello, fazendo o possível), um modelo fotográfico que em final de carreira se encanta por Ariela (Cleo Pires), uma jovem corretora de imóveis que tem incrível semelhança com uma antiga paixão do protagonista. O roteiro escrito a seis mãos (por Jorge Furtado, Glênio Póvoas e pela própria diretora) narra a trama de maneira fragmentada, misturando presente com passado e abrindo até boas possibilidades cinematográficas. Possibilidades, porém, que não vingam na tela, deixando no espectador um desagradável sabor de história mal contada.

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