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BLADE RUNNER 2049

(Blade Runner 2049)

2017 , 163 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 05/10/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Denis Villeneuve

    Equipe técnica

    Roteiro: Hampton Fancher

    Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Bud Yorkin, Ridley Scott

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer

    Estúdio: Warner Bros.

    Montador: Joe Walker

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Ana de Armas, Carla Juri, Dave Bautista, David Dastmalchian, Harrison Ford, Hiam Abbass, Jared Leto, Lennie James, Mackenzie Davis, Robin Wright, Ryan Gosling, Sylvia Hoeks, Wood Harris

  • Crítica

    05/10/2017 17h06

    É impossível falar de ficção científica e cultura CyberPunk incluir Blade Runner - O Caçador De Andróides na conversa. Lançado em 1982, o filme gerou bastante controvérsia por seus questionamentos morais e sociais e pelas suas diversas versões, fruto das divergências criativas entre o diretor Ridley Scott e os executivos da Warner Bros.

    Com status de cult, o longa influenciou toda uma geração não só de espectadores, mas também de cineastas que se inspiraram no trabalho minucioso e no visual deslumbrante do universo criado por Scott.

    Mesmo com toda essa bagagem e o status de obra-prima do original, o diretor Denis Villeneuve não se acanhou diante da missão de produzir uma sequência do clássico. E não decepcionou.

    Vindo de uma sequência de grandes filmes, a exemplo de A Chegada, Sicario: Terra De Ninguém e O Homem Duplicado, o canadense "matou no peito" esse desafio e entregou um longa com personalidade própria, mas que não deixa de reverenciar o seu antecessor.

    A trama se passa ainda em Los Angeles, 30 anos depois dos acontecimentos do primeiro. Com um mundo cada vez mais decadente - provavelmente em decorrência de algum desastre de grande magnitude - o oficial K (Ryan Gosling) tem a missão de continuar a "aposentar" (um eufemismo) os modelos antigos de replicantes que ainda estão em atividade, disfarçados em algum lugar do planeta.

    O jovem K também é um replicante, só que de um modelo mais recente, mas consegue dissociar sua condição defendendo que o seu "tipo" não apresenta resistência como os replicantes mais antigos. Entretanto, um segredo do passado vem à tona e K enfrenta o maior desafio de sua vida, onde terá que questionar se é mesmo tão diferente dos outros.

    A trama faz faz uma análise muito interessante sobre a substituição das coisas reais pelas sintéticas, característica que permeia até as relações amorosas de seus personagens. Um bom exemplo é o holograma Joi (Ana de Armas), a cyber namorada de K. De certa forma, ela se mostra uma crítica a figura objetificada da mulher, programada para atender todos os desejos de seus compradores e ausente de vontades próprias - mesmo que o personagem de Gosling não a enxergue dessa forma, esse é o seu propósito.

    Há também uma crítica padrão sobre a relação dos humanos com a tecnologia. Em tempos de Facebook e Instagram, o "aparentar" se torna mais importante do que o "ser/sentir". Validando que a representação pode substituir facilmente a matéria.

    Gosling está fenomenal no papel de K. Mesmo com um personagem de poucos diálogos, o ator soube se garantir na expressão corporal e em nenhum momento deixou de entregar a carga emocional que as cenas pediam.

    Jared Leto ficou apagado no papel do sádico cientista Niander Wallace. Além de ter pouco tempo de tela, seu potencial de interpretação foi completamente desperdiçado com um vilão caricato e que parece mais preocupado em declamar corretamente versos bíblicos do que conquistar o seu objetivo maquiavélico.

    Diante dessa lacuna deixada por Niander, quem rouba a cena é a atriz holandesa Sylvia Hoeks, no papel da replicante Luv, braço direito do cientista. Além de protagonizar praticamente todas as (raras) cenas de ação, seu visual lembra muito o de Rachael (Sean Young). Ela também é um respiro diante de tantas personagens femininas unilaterais do filme, que são divididas entre megeras ou interesse amoroso de terceiros.

    A tão esperada aparição de Harrison Ford é curta mas muito significativa. Mesmo sem o fôlego do passado, é emocionante vê-lo novamente no papel de Rick Deckard. Um momento que deixará os nostálgicos de olhos marejados.

    Apesar desses momentos de nostalgia, Blade Runner 2049 não se prende totalmente ao anterior e com exceção de algumas referências diretas - como o unicórnio de origami - pode ser assistido por aqueles que não viram o de 1982.

    Esteticamente falando, o longa é de encher os olhos de qualquer um. Com uma bela fotografia do premiado e experiente Roger Deakins, a sequência consegue ambientar a atmosfera do primeiro, adicionando características modernas e sem precisar abusar do CGI, como tantos filmes recentes têm feito.

    Mesmo com uma narrativa arrastada, que se reflete nas quase três horas de filme, Blade Runner 2049 é um lançamento muito acima da média do que vimos pipocar neste ano em Hollywood. Villeneuve provou que é possível fazer uma sequência respeitosa ao material original que não pareça redundante ou uma simples cópia. O resultado final é um filmaço que merece ser conferido de mente aberta.



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