Pôster do filme Branca de Neve

BRANCA DE NEVE

(Blancanieves)

2012 , 104 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Pablo Berger

    Equipe técnica

    Roteiro: Pablo Berger

    Produção: Ibon Cormenzana, Jérôme Vidal, Pablo Berger

    Fotografia: Kiko de la Rica

    Trilha Sonora: Alfonso de Vilallonga

    Estúdio: Arcadia Motion Pictures, arte France Cinéma, Canal+ España, Instituto de la Cinematografía y de las Artes Audiovisuales (ICAA), Motion Investment Group, Nix Films, Noodles Production, Sisifo Films AIE, Televisió de Catalunya (TV3), Thekraken Films

    Montador: Fernando Franco

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Angela Molina, Carmen Belloch, Daniel Giménez Cacho, Emilio Gavira, Inma Cuesta, Itziar Castro, Jinson Añazco, Josep Maria Pou, Macarena García, Manel Castillejos, Maribel Verdu, Pere Ponce, Ramón Barea, Sergio Dorado, Sofía Oria

  • Crítica

    01/07/2013 13h01

    No documentário O Homem e as Imagens, do cineasta francês Eric Rohmer, outro diretor lamenta o fato de o cinema ter ganhado diálogos tão cedo. René Clair acreditava, naquela época, que o potencial das imagens e da edição não havia sido bem explorado a ponto de a sétima arte ganhar outro suporte narrativo. Tendo como exemplos recentes O Artista e, agora, Branca de Neve, muita gente fará coro ao seu lamento.

    Em cada passagem do novo longa mudo de Pablo Berger, fica claro o cuidado com enquadramento, edição, fotografia, trilha sonora. Talvez, o excesso de informação ao qual estamos expostos faça crescer o apreço por esse estilo cinematográfico, o torne essa exceção tão bem-vinda.

    Adaptação da fábula dos Irmãos Grimm, a trama se passa na Espanha, onde a menina Carmencita perde os pais e encontra seu destino nas touradas. Filha da dançarina Carmem e do toureiro Antonio Villalta, sofre as injúrias da madrasta na primeira parte do filme, o qual ganha um ar mais circense na segunda metade quando segue uma excursão de anões.

    Apesar de não manter-se fiel ao conto original, consegue inserir seus elementos principais – como a maçã envenenada – de maneira pertinente. Além disso, traz outras metáforas típicas das fábulas junto a uma crítica à sociedade do espetáculo, diferente das versões muito adocicadas de Walt Disney para histórias passadas de geração em geração.

    Visualmente, o contraste inerente ao preto e branco e o uso do formato 16mm poderiam bancar uma estética interessante, mas Pablo Berger vai além, captando o desenho das sombras, seguindo suas linhas ao incidirem sobre cenários e traços dos personagens. A geometria desse jogo de luz é um recurso artístico do qual poucos diretores sabem tirar proveito.

    Aliada à imagem, a trilha precisa bancar quase duas horas de filme, dar dinâmica a ele, fazê-lo dançar ou ficar mais lento. E alcança esse objetivo usando ritmos e instrumentos variados - desde o som fantasmagórico do teremim a palmas e violões flamencos, chegando apenas à voz com entonação cigana. Um deleite a parte.

    A releitura desta fábula poderia cair no abismo de clichês se quisesse apenas copiar o estilo do cinema mudo, mas soube poupar aspectos como a dramaticidade exagerada dos atores (com algumas exceções da madrasta vivida por Maribel Verdú), ganhando um ar mais atual.

    Mesclando silêncio e música aconchegantes em contrapartida ao barulho exagerado da maioria dos filmes da atualidade, Branca de Neve justifica as dezenas de prêmios conquistados mundo afora. É um prato cheio para quem deseja matar a saudade do cinema como forma de arte, indo além do mero entretenimento.

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