Blind

BLIND

(Blind)

2014 , 96 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/03/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Eskil Vogt

    Equipe técnica

    Roteiro: Eskil Vogt

    Produção: Hans-Jørgen Osnes, Sigve Endresen

    Fotografia: Thimios Bakatakis

    Trilha Sonora: Henk Hofstede

    Estúdio: Lemming Film, Motlys

    Montador: Jens Christian Fodstad

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Aslag Guttormsgaard, Ellen Dorrit Petersen, Erle Kyllingmark, Fredrik Sandahl, Isak Nikolai Møller, Jacob Young, Marius Kolbenstvedt, Nikki Butenschøn, Stella Kvam Young, Vera Vitali

  • Crítica

    05/03/2015 19h08

    Por Iara Vasconcelos

    Premiado nos festivais de cinema de Sundance e Berlim, Blind, estreia em longa-metragens do norueguês Eskil Vogtfaz um questionamento sensível sobre a diferença entre ver e enxergar. O cineasta conduz com competência uma bela viagem através dos sentidos, para isso se apoia em roteiro consistente sobre a história da deficiente visual Ingrid.

    Depois de perder a visão, a ex-professora passa os dias refugiada em seu apartamento, onde vive com o marido, um promissor engenheiro. É fácil entender o motivo pelo qual o lugar torna-se seu porto-seguro, Ingrid conhece cada cantinho de seu lar, a posição de sua xícara de café, a posição dos móveis, os obstáculos que possam cruzar seu caminho, algo de extrema importância para alguém que nasceu enxergando, mas perdeu a visão em algum momento da vida. Ainda assim essa sensação de segurança não impede que ela tenha dificuldade em realizar tarefas básicas, como preparar sua própria comida.

    Por não enxergar, Ingrid desenvolveu melhor outros sentidos. "O real não importa, desde que eu visualize bem", diz ela. Um bom exemplo disso são as cenas em que a personagem imerge em seu universo particular ao ouvir suas playlists de música.

    Em paralelo, somos apresentados a Einar, homem solitário e obcecado por pornografia que nutre paixão platônica pela vizinha Elin, mulher jovem e recém divorciada que se vê perdida todas as vezes que a filha vai para a casa do pai e ela tem que lidar com seu próprio vazio. Ao longo da trama percebemos que os três personagens divagam sobre os mesmos dilemas, estariam eles mais próximos do que pensávamos?

    As paredes brancas do apartamento que compõe o cenário parecem estar ali com o propósito de ajudar o espectador a adentrar totalmente na vida e experiências de Ingrid. O cenário em ruínas substitui as paredes pálidas no mesmo momento em que a personagem se dá conta de seu conflito interior.

    O longa também triunfa ao apontar que as pressões sofridas pelas mulheres se intensificam quando há algum tipo de deficiência envolvida. Isso é expresso no medo que a personagem tem de engravidar - como seria cuidar de um filho quando se é desprovida de visão? - e na crença de que a falta de desejo sexual de seu marido tem relação expressa com esse fator.

    Blind é um daqueles filmes que aparecem de vez em quando e te fazem mudar sua percepção sobre a vida. Com sua narrativa agridoce, Vogt nos mostra que na ânsia de voltar nossos olhos ao mundo, esquecemos de volta-los a nós mesmos.

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