Pôster de Bloodmoney

BLOOD MONEY – ABORTO LEGALIZADO

(Bloodmoney)

2009 , 78 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 15/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David K. Kyle

    Equipe técnica

    Roteiro: David K. Kyle

    Produção: David K. Kyle, John Zipp, Roman Jaquez

    Fotografia: Jeff Butler, Roman Jaquez

    Trilha Sonora: Eric Genuis, John Wenger, Nathan Kohrs

    Estúdio: TAH LLC

    Montador: Roman Jaquez, Steve Taylor

    Distribuidora: Estação Luz Filmes, Europa Filmes

  • Crítica

    10/11/2013 18h23

    O título deste documentário não esconde suas pretensões. Blood Money (Dinheiro de Sangue em tradução para o português) ataca frontalmente a prática do aborto e a trata como assassinato de inocentes - não à toa o filme se chamaria O Holocausto Americano. David K. Kyle, o diretor, mudou de ideia porque queria chamar a atenção para a questão financeira envolvida.

    A produção reúne depoimentos de mulheres arrependidas, médicos, padres e da compungida ex-proprietária de uma clínica de aborto para confrontar com veemência a Suprema Corte estadunidense por ter legalizado o ato no país, algo que classifica como pior que a conivência com a escravidão e equipara a um genocídio autorizado.

    Documentário não é reportagem jornalística e pode optar por defender um ponto de vista sem a obrigação de ouvir o "outro lado". Essa opção, no entanto, cobra um preço: fundamentar com destreza seus argumentos e não deixar de tocar em nenhum dos pontos nevrálgicos da discussão – e em se tratando de aborto, estes são muitos.

    Blood Money, infelizmente, não faz uma coisa nem outra. Redundante feito disco arranhado, sustenta-se na tese de que o ser humano surge no momento da fecundação, portanto, eliminar o embrião em qualquer fase da gravidez seria assassinato. Ponto. Partindo dessa argumentação, que trata como dogma, joga para escanteio qualquer possibilidade de debate mais aprofundado.

    Mesmo que dissimuladamente, no fim das contas o filme sustenta o discurso de que a mulher não deve ter nenhum poder de decisão sobre o futuro da gestação em andamento. Mais: afirma que todas elas – sem exceção - tomam a decisão de abortar por não obter alguma forma de apoio, o que as leva a negar sua natureza materna e decidir-se erroneamente pela eliminação do embrião.

    Questões cruciais como anencefalia – e a possível crueldade de impor a uma mãe a gestação de uma criança que morrerá ao nascer – ou o direito de uma mulher vítima de estupro em decidir-se pela interrupção da gravidez não são sequer mencionadas. Em lugar de argumentações sólidas, o que se vê é apenas uma sucessão de depoimentos de mulheres chorosas e arrependidas.

    Abstendo-se de discutir temas controversos - e difíceis aos que se posicionam contra a prática da interrupção da gestação -, Blood Money tergiversa e vai tratar dos lucros das clínicas de aborto nos Estados Unidos, o que não é cerne da questão. O filme também se envereda pelo campo da especulação ao sugerir um suposto processo de eugenia em andamento nos EUA.

    Aborto é um assunto complexo que, infelizmente, é tratado de forma polarizada. Todos são convocados a se posicionar deste ou daquele lado da trincheira. No Brasil, onde ainda se criminaliza a prática, a discussão engatinha e é costumeiramente jogada para debaixo do tapete. Blood Money não ajuda muito a melhorar o nível do debate por aqui.

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