BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

(Bonitinha, Mas Ordinária)

2009 , 100 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 24/05/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Moacyr Góes

    Equipe técnica

    Roteiro: Moacyr Góes

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: Jacques Cheuiche

    Trilha Sonora: Ary Sperling

    Estúdio: Diler Produções

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    André Valli, Ângela Lea, Gracindo Júnior, João Miguel, Leandra Leal, Leon Góes, Letícia Colin, Lígia Cortez

  • Crítica

    24/05/2013 19h04

    Esta nova adaptação para as telas da célebre peça de Nelson Rodriguez chega aos cinemas com quatro anos de atraso – o longa é de 2009. Durante esse tempo, muito se especulou sobre a demora na estreia e havia receio da imprensa especializada de que o filme simplesmente fosse uma obscenidade – e não me refiro à imoralidade peculiar à obra de Rodriguez.

    Simplesmente não dava para fazer bons prognósticos conhecendo a carreira pregressa do diretor. Antes, Moacyr Góes havia "cometido" filmes como Dom, Maria – Mãe do Filho de Deus e quatro longas da Xuxa. O currículo nada auspicioso e a demora de Bonitinha, mas Ordinária para chegar às telas só fizeram crescer a descrença nas possíveis virtudes do filme.

    A promessa de fiasco à vista não se concretizou. O longa está a anos-luz do que Góes fez anteriormente, o que não chega a ser difícil, convenhamos. Tem erros e acertos, mas no computo geral é interessante e tem valor por apresentar às novas gerações o clássico de Rodriguez. Trata também da crise de valores, do desapego à moralidade o que, em última instância, é tema bem atual no país.

    Seu protagonista, Edgar (João Miguel), é um homem simples, dividido pela proposta de casar-se por dinheiro com a filha do seu chefe, Maria Cecília (a estreante Letícia Colin), ou permanecer na pobreza ao lado de Ritinha (Leandra Leal), seu grande amor. Não há nada de novo na história de alguém tentado pelo dinheiro, mas o Bonitinha de Góes faz refletir sobre o quanto figuras como Edgar são cada vez menos prováveis no Brasil de hoje.

    Dois pedaços de papel co-habitam a carteira deste homem ao longa da trama: o cheque milionário dado pelo pai de Maria Cecília para convencê-lo a casar com a filha e a foto de seu pai, trabalhador honesto que morreu na miséria. O dilema do personagem – que talvez não causasse hesitação a muita gente – ganha tensão e sensibilidade adequadas na atuação sempre eficiente de João Miguel.

    Por sinal, são os atores, em sua maioria, que conseguem dar ao filme o alicerce emocional de que precisa para prender o público à trama fazê-lo acreditar na realidade apresentada. Neste quesito destacam-se também Leandra Leal e Leon Góes – ótimo no papel de Peixoto, advogado capacho do pai de Maria Cecília.

    Moacyr Góes não brilha na condução do filme (peca pelo excesso de planos fechados e opções de enquadramento pouco favoráveis à narrativa), mas tampouco o deixa esmorecer. Confiou na força de seu elenco e levou adiante uma versão arrojada e bem particular do texto de Rodriguez. Há personalidade, marca autoral e força em seu Bonitinha, mas Ordinária.

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