Críticas

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BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR

(Snow White and the Huntsman, 2012)

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29/05/2012 21h36
por Roberto Guerra
Há grande diferença entre divertir o público e fazer pouco caso dele. Esta última situação vem se tornando corriqueira em algumas produções hollywoodianas, que confundem cinema de puro lazer com desleixo com o processo de criação e produção. Branca de Neve e o Caçador, felizmente, não se encaixa neste perfil. Tem trama ao alcance de todos, é nitidamente feito para agradar a públicos diversos, mas conta com produção irrepreensível e roteiro bem alinhavado que leva o espectador a embarcar na trama.

A famosa fábula dos irmãos Grimm, eternizada na animação da Disney, ganhou duas versões live action este ano. A primeira, intitulada Espelho, Espelho Meu – com Julia Roberts e Lily Collins como protagonistas-, tinha a pretensão de recriar o conto em tom de comédia. Não deu certo. Crítica e público a rejeitaram solenemente. A proposta de Branca de Neve e o Caçador foi pelo caminho da aventura épica. Funcionou. Muito pelo bom trabalho da produção, que soube equacionar os diversos elementos que compõem um blockbuster.

Era preciso um chamariz para atrair o grande público, o que levou Kristen Stewart – a estrela de Crepúsculo - ao papel de Branca de Neve. Solução por um lado, Kristen era problema de outro: como compensar o limitado arsenal dramático da atriz? O trio de roteiristas fez a compensação valorizando os coadjuvantes da trama e apostando alto na vilã, que, como se sabe, na história de Branca de Neve tem importância equivalente à protagonista. Charlize Theron, com talento pra ela e para doar aos necessitados, foi a escolha mais que acertada da produção para o papel de Rainha Má.

Direção de arte e figurino são outro show a parte. David Warren, responsável pela direção de arte do premiado A Invenção de Hugo Cabret, assina um trabalho impecável e detalhista, responsável pela ambientação obscurantista de um reino mergulhado nas trevas pela malvada monarca. Por outro lado, Warren resgata com competência o tom de conto de fadas da história quando Branca de Neve chega à Floresta Encantada. Tudo com riqueza de detalhes impressionante. A vencedora do Oscar por Alice no País das Maravilhas, Collen Atwood, reforça o trabalho idealizando um figurino que remete ao lúdico, mas não se distancia do real.

O estreante diretor Rupert Sanders entrega uma versão muito mais sombria e violenta da história consagrada pela Disney. Na trama, o caçador Eric (Chris Hemsworth, o Thor) é contratado pela perversa rainha Ravenna (Theron) para encontrar Branca de Neve. A rainha precisa devorar o coração da jovem para, assim, conseguir a beleza eterna. O caçador, claro, percebe estar do lado errado da luta, se encanta pela heroína e passa a integrar a resistência contra as pretensões malignas da rainha. Os anões, agora oito, não podiam faltar e entram na trama para ajudar Branca a recuperar o trono.

A presença de Kristen Stewart estampada no cartaz do filme pode gerar reações diametralmente opostas. Ao passo que é capaz de atrair os adolescentes fanáticos pela Saga Crepúsculo, pode afugentar os detratores da franquia teen. Se o leitor faz parte deste último grupo, tire a bobagem vampiresca da cabeça e curta Branca de Neve e o Caçador. Diversão garantida para toda a família sem afrontar a dignidade de ninguém.


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